Plano de paz de Trump prevê até turismo na Faixa de Gaza

por Guarulhosweb - 25/06/2019 20:18


Em meio a grande ceticismo, a administração Trump começou a discutir nesta terça-feira, 25, seu plano econômico de US$ 50 bilhões que prevê até incentivo ao turismo para tentar alcançar a paz entre israelenses e palestinos. Mas ele não esclarece os detalhes políticos para torná-lo real.

O plano foi apresentado pelo genro e conselheiro do presidente Donald Trump, Jared Kushner, a um grupo reunido em Manama, capital do Bahrein, em uma conferência marcada pela ausência de líderes israelenses e palestinos.

Em linhas gerais, o plano prevê o investimento de doadores nacionais e investidores de cerca de US$ 50 bilhões. Mais da metade desse montante seria colocado nos territórios palestinos nos próximos dez anos. O restante seria dividido entre Líbano, Egito e Jordânia - país que mais tem absorvido palestinos e teme que eles se estabeleçam em seu território para sempre.

O dinheiro seria investido em áreas palestinas ligadas à infraestrutura, comércio e turismo, mas é vago sobre como solucionar os entraves políticos a eles. Há uma seção dedicada ao turismo no plano de Kushner. "Para o desenvolvimento total da indústria do turismo palestina, novos investimentos são necessários para a criação de acomodações e atrações próximas dos locais turísticos mais populares", afirma o texto.

Um dos empecilhos que não responde o plano trata-se do bloqueio israelense e egípcio à Faixa de Gaza há mais de uma década, controlando a entrada de vários produtos e, principalmente, proibindo o acesso a materiais de construção, que Israel teme que o Hamas, grupo que controla o território, utilize para fins militares.

O plano também não cita a ocupação israelense da Cisjordânia, o que impõe um enorme obstáculo a qualquer projeto de desenvolvimento econômico palestino.

Entre os 179 projetos de infraestrutura e negócio para os palestinos, o plano de Kushner prevê um corredor de transporte de US$ 5 bilhões para conectar a Faixa de Gaza e a Cisjordânia, distantes 115 km um do outro. A proposta não é exatamente uma novidade e já foi apresentada no passado, mas emperrou na falta de acordos políticos e de segurança para viabilizá-la.

De acordo com o analista de Oriente Médio do jornal Jerusalém Post, algumas partes do plano "mostram que Israel ou não foi consultado, ou não tinha nada a dizer ou os autores do texto não são familiarizados com o papel desempenhado pelo país nas fronteiras e nas telecomunicações palestinas".

O plano fala, por exemplo, em viabilizar serviços de dados de alta velocidade. O analista lembra que o veto de Israel à tecnologia wireless 3G para serviços móveis aos palestinos somente foi derrubado em 2018.

A Autoridade Palestina, que alega que não há saída sem uma solução política, boicotou o evento de dois dias. O governo israelense não foi convidado. Diante da ausência dos palestinos, várias nações árabes concordaram em ir, mas sem enviar representantes de alto escalão.

"Não sei dizer quantas vezes eu li propostas de planos Marshall para o Oriente Médio em um período de 20 anos. Mas a realidade é que, na sequência, é muito problemático usar incentivos econômicos - desenvolvimento, comércio, assistência e até a construção de instituições - sem primeiro alcançar as necessidades e exigências políticas das pessoas no conflito", afirmou Aaron David Miller, ex-negociador para o Oriente Médio de administrações republicanas e democráticas.

Centenas de palestinos protestaram na segunda-feira na Cisjordânia ocupada contra a conferência. Perto de Hebron, alguns deles sentaram-se em torno de um caixão com a inscrição "Não ao acordo do século", uma expressão pejorativa que faz referência às propostas de paz de Trump.

Os palestinos cortaram os laços com a Casa Branca após Trump reconhecer em 2017 Jerusalém como capital de Israel e transferir a embaixada americana de Tel-Aviv. Para eles, a proposta de paz da administração republicana é pró-Israel. A equipe de Oriente Médio de Trump assinalou recentemente que aceitará a anexação por Israel de partes da Cisjordânia, coração do Estado Palestino, aprofundando ainda mais as suspeitas palestinas. (Com agências internacionais)

Seja o primeiro a comentar esta notícia.


Participe! comente esta notícia
informe o seu nome.
@
por favor um e-mail válido
T

Veja Também

Facebook e Google violam os direitos humanos, segundo Anistia Internacional

A Anistia Internacional considera o modelo de negócios de gigantes da tecnologia, como Facebook e Google, uma ameaça para os direitos humanos. As...

21/11/2019 19:37
Greve e protestos paralisam transporte em Bogotá e Medellín

Os colombianos protestam nesta quinta-feira, 21, contra o governo de Iván Duque, que enfrenta a maior manifestação contra ele no momento em que sua...

21/11/2019 15:49
Binyamin Netanyahu é indiciado por fraude e suborno em Israel

O procurador-geral de Israel, Avichai Mandelblit, indiciou nesta quinta-feira, 21, o premiê interino Binyamin Netanyahu por fraude, suborno e quebra de...

21/11/2019 15:07

Últimas Notícias

Cidades

Central do Voluntariado de Guarulhos busca voluntários para eventos deste final de ano

A Central do Voluntariado de Guarulhos – CVG, recebe até as 17h desta segunda-feira (25), ou até se esgotarem as vagas,...

21/11/2019 18:07

Variedades

Festival Panamérica Utópica insere Guarulhos no circuito internacional de teatro

O Festival de Teatro Comunitário Panamáerica Utópica chegou ao fim na noite da última terça-feira, 19/11, depois de...

21/11/2019 17:42

Cidades

Prefeitura participa de evento sobre cidades inteligentes no Adamastor

O Departamento de Incentivo a Parceria Público Privada da Prefeitura de Guarulhos participou na manhã desta quinta-feira, 21/11, do...

21/11/2019 17:24