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Chico 2022: a imaginação no poder

Confira a coluna Mundo das Palavras, escrita pelo professor doutor Oswaldo Coimbra, colaborador do portal GuarulhosWeb

Por Redação GuarulhosWeb

13 de Janeiro de 2020

O “moço de olhos claros”, “que sabe as coisas do meu povo”. O Chico de 35 anos de idade, assim, descrito em 1979 por Benito de Paula, na música “Banda do Povo, já tinha manifestado solidariedade a quem precisava dela, no Brasil, 14 anos antes. Mal completara duas décadas de existência, quando escreveu, com indignação, sobre os lavradores pobres do Nordeste, da época: “Esta cova em que estás com palmos medida, é uma cova grande pra teu defunto parco, porém, mais que no mundo, te sentirás largo” (“Funeral de um lavrador”). Aos 75 anos, hoje, Chico é o mesmo.

Pois, nos anos seguintes, ele se comoveu com o sofrimento de mães pobres: “Quando, seu moço, nasceu meu rebento, não era o momento dele rebentar. Já foi nascendo com cara de fome. E eu não tinha nem nome pra lhe dar” (O Meu Guri).

Com a mulher, vítima de estigma social: “Joga pedra na Geni! Ela é feita pra apanhar! Ela é boa de cuspir! Ela dá pra qualquer um! Maldita Geni!” (Geni e o Zepelim).

Com a desumano tratamento dispensado ao do trabalhador braçal: “Subiu a construção, como se fosse máquina, sentou pra descansar, como se fosse sábado, e, tropeçou no céu como se fosse um bêbado. E se acabou no chão feito um pacote flácido. Agonizou no meio do passeio público. Morreu na contramão, atrapalhando o tráfego” (Construção).

Benito de Paula ficara atento. Ele que havia sofrido uma dura punição, no início de sua carreira, por haver incluído a música de Chico “Apesar de você”, vetada pela censura da Ditadura Militar, no seu primeiro disco. Aquele que tinha gravado, após anos de batalha como cantor obscuro de bares e boates. Como é sabido, pela ousadia, o disco também foi proibido. Não importava. Em 1979, a sua homenagem mostrou que Benito mantinha a admiração por Chico. Nela, inseriu um slogan perfeito: “Se a gente sofre, ele sente”. Como se previsse a necessidade de uma campanha contra o ódio, hoje, disseminado no País, sustentada numa força descrita pelo próprio Chico: “Sonhar mais um sonho impossível. Lutar, quando é fácil ceder. Vencer o inimigo invencível. É minha lei. Se esse chão que eu beijei, for meu leito, vou saber que valeu morrer de paixão. (Porque) vai ter fim a infinita aflição” (Sonho Impossível)

É bom lembrar: Chico aos 22 anos, animou multidões de “gente sofrida”, no Brasil, com a inclemência da Ditadura Militar, com sua “A banda”. Ele integrava uma geração que queria mudar o mundo com o sonho de colocar “a imaginação no poder”, exigindo: “Seja realista: peça o impossível”.