Em Hong Kong, polícia e manifestantes entram em confronto

por Guarulhosweb - 13/08/2019 12:50


A polícia de Hong Kong entrou em confronto com centenas de manifestantes pró-democracia que protestam nesta terça-feira, 13, no aeroporto internacional de Hong Kong, um dia após intensos protestos provocarem o cancelamento de diversos voos.

Os policiais usaram gás de pimenta para tentar dispersar os manifestantes, que bloquearam os corredores que levam às áreas de embarque de dois terminais. O confrontou durou cerca de cinco minutos, e não há informações de feridos.

As autoridades aeroportuárias de Hong Kong decidiram cancelar todos os voos com decolagem prevista para o território. "As operações nos terminais do aeroporto internacional de Hong Kong foram seriamente prejudicadas em razão de uma concentração pública", indicaram em um comunicado.

Apenas um pequeno grupo de manifestantes passou a noite no aeroporto e os voos foram retomados no início do dia. Contudo, horas depois, centenas de ativistas voltaram a se concentrar no local em resposta à convocação para uma nova manifestação.

Vestidos de preto, cor que se tornou símbolo do movimento, eles gritavam frases como "Levante Hong Kong, levante pela liberdade", enquanto os passageiros se apressavam para tentar embarcar nos voos.

Na segunda-feira, as autoridades aeroportuárias da cidade cancelaram todos os voos depois que milhares de manifestantes invadiram o saguão de desembarque. Companhias aéreas precisaram remarcar voos para os passageiros que não conseguiram decolar no dia.

Caminho sem retorno

Os militantes chegaram nesta terça ao aeroporto apenas poucas horas depois que a chefe do Executivo local, Carrie Lam, advertiu que a violência das mobilizações levará a cidade a "um caminho sem retorno". "A violência, seja seu uso ou sua justificação, levará Hong Kong por um caminho sem retorno e afundará sua sociedade em uma situação muito preocupante e perigosa", disse ela em entrevista coletiva.

Carrie enfrentou duras perguntas da imprensa, que a interrompeu em várias ocasiões enquanto defendia a atuação da polícia durante um fim de semana de confrontos violentos entre manifestantes radicais e forças de segurança.

Segundo ela, a polícia enfrentou "circunstâncias extremamente difíceis" e observou "as rígidas e rigorosas diretrizes sobre o uso apropriado da força".

A chefe do Executivo local não respondeu à pergunta sobre se pretende acabar com a crise aceitando a principal reivindicação dos manifestantes - de retirar por completo o projeto de lei (agora suspenso) que permitiria extradições à China.

"Volto a pedir a vocês que deixem de lado suas divergências e se acalmem. Reflitam e pensem em nossa cidade, no nosso lar. Realmente querem nos levar ao abismo?", questionou ela.

Na segunda-feira, havia a ameaça de intervenção do governo chinês para pôr fim à onda de protestos no país. O jornal chinês Global Times publicou um vídeo das forças policiais chinesas se preparando para uma possível intervenção.

Os manifestantes não mostraram sinais de que irão desistir da campanha para forçar o governo de Hong Kong a responder às demandas deles. Nenhuma nova ação violenta foi registrada, embora a cidade esteja em um clima tenso depois de mais de dois meses de confrontos quase diários entre manifestantes e policiais.

As pessoas que foram às ruas pediram uma investigação independente sobre abuso de poder e negligência por parte da polícia. Alguns manifestantes jogaram tijolos, ovos e objetos em chamas contra delegacias.

"Depois que a violência for interrompida e a situação caótica que estamos vendo diminuir, eu, como chefe do Executivo, serei responsável por reconstruir a economia de Hong Kong e ajudá-la a seguir em frente", afirmou Carrie.

Bachelet pede investigação imparcial

A alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, expressou preocupação com a repressão das manifestações pró-democracia em Hong Kong e pediu uma "investigação imparcial" na ex-colônia britânica.

Ela "condena qualquer forma de violência (...) e exige que as autoridades de Hong Kong iniciem uma investigação rápida, independente e imparcial" sobre o comportamento das forças de segurança, afirmou o porta-voz da Alta Comissária, Rupert Colville, durante uma entrevista coletiva em Genebra. (Com agências internacionais)

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