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ARTIGO - Calma! O momento exige análise antes de um resgate desesperado de seu investimento

Em um cenário temerário como este, a pergunta que mais recebo de investidores e seguidores é: “Como faço para parar de perder esse dinheiro? ”

Por Redação GuarulhosWeb

08 de Abril de 2020 as 09:02

Desde o final do mês de fevereiro, os investidores começaram a se deparar com uma situação desconfortável em suas carteiras de aplicações. Esse desconforto atingiu investidores de todas as classes, dos conservadores aos arrojados, dos iniciantes aos profissionais. Antes mesmo de atingir a saúde da população, a Covid-19 já fazia o estrago dela no mercado financeiro e refletia medo e incerteza.

O Ibovespa, principal índice da bolsa de valores no Brasil, teve - até esta semana – uma queda de aproximadamente 35%. A incerteza a respeito de quais segmentos da economia podem sofrer maior impacto com o baixo consumo levou títulos de crédito privado a terem menor liquidez no mercado e, consequentemente, desvalorização no seu preço de emissão. A queda nos preços desses ativos fez com que fundos de renda fixa com exposição em crédito privado, mesmo sendo considerados de liquidez, tivessem rentabilidade negativa nos últimos 45 dias.

Em um cenário temerário como este, a pergunta que mais recebo de investidores e seguidores é: “Como faço para parar de perder esse dinheiro? ”.

A resposta é: tenha calma! Antes de tomar qualquer decisão precoce e realizar prejuízo, temendo o desenrolar da crise, vale seguir uma análise estratégica na sua carteira de investimentos.

Vamos a um exemplo bem generalista e, por isso, mais didático:

Desconsiderando custos como os de manutenção, por exemplo, imagine que você tenha adquirido em 1990 um Fusca (ano 1985) por um valor equivalente a R$ 5.000. Cinco anos depois, você decide vender o carro, porém só encontra comprador com interesse de pagar R$ 2.500. Não satisfeito com o valor oferecido, você considera que não precisa daquele dinheiro no momento e decide não vender. O tempo passa, o carro vira uma relíquia e, em 2020, você se surpreende ao descobrir que esse carro passou a ter comprador interessado a pagar R$ 30.000 por ele.

Ou seja, você não perdeu dinheiro em 1995, mesmo sabendo que tinha um produto de qualidade a ser vendido. Ao agir com calma e colocar na balança a real necessidade de um resgate do valor no momento, aguardar pode fazer com que você tenha uma recuperação no valor investido. Apesar do exemplo simplista, esta é a dinâmica do mercado financeiro.

Portanto, para o investidor que está vendo esse cenário do Fusca 1985 acontecer com suas aplicações, aqui vão algumas dicas: aguarde; analise quais são os ativos/empresas que estão na sua carteira de investimentos; e converse com seu assessor sobre quais são os grandes riscos que cercam essas empresas na crise que estamos vivendo.

Se essas empresas que compõem a sua carteira têm maior segurança, não é o momento de vender o Fusca, ou melhor, resgatar suas aplicações. A realização de prejuízos agora pode ser irreversível. E falar em vender agora para recomprar quando a situação melhorar é como querer acertar o buraco de uma agulha com os olhos vendados.

As estratégias de recuperação, enquanto a crise não passa, precisam ser analisadas de acordo com a disponibilidade de recursos de cada investidor, a exposição a risco de sua carteira, bem como seu horizonte de tempo. Os mais arrojados podem enxergar como uma oportunidade de se expor um pouco mais e, os mais conservadores, teriam que buscar estratégia em ativos de renda fixa no mercado secundário ou simplesmente aguardar essa onda de maior volatilidade para começar a traçar novas estratégias de recuperação.

Para quem acredita que o momento é bom para entrar em um mercado que nunca participou ou comprar um pouco mais de ações, lembre-se: nem tudo que está barato é oportunidade! Tenha sempre ao seu lado um especialista no mercado de investimentos e desenhe sua carteira de acordo com suas necessidades de recursos.


Daniella Rolim, CFP®, é graduada em Administração de Empresas, pós-graduada em Banking e tem MBA em Gestão de Negócios e Finanças. Educadora financeira formada pela DSOP, é planejadora financeira com certificação internacional CFP e diretora comercial da Flap Capital