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RESENHA GWEB – “O Poço” é ótima oportunidade para refletir em tempos de pandemia

O Poço é tenso, bem construído e com uma história que causará arrepios à medida em que você pensa mais nela

Por Denis Le Senechal Klimiuc, especial para o GuarulhosWeb

30 de Abril de 2020 as 10:28

Que filme é esse que deixou muita gente de cabelo em pé? Surgiu tímido, na Netflix, e aos poucos se tornou um dos mais comentados do ano, até o momento, justamente porque ele é muito mais ambicioso do que seu marketing o disse. Desta forma, “O Poço” está na boca de muita gente, seja por conta dos cabelos em pé ou pela polêmica que ele levanta.

Dirigido por Galder Gaztelu-Urrutia, esse filme espanhol é um terror com boas doses de suspense e drama social, tudo disfarçado em sua narrativa, que literalmente vai para cima e para baixo.

A história nos leva aos olhos de Goreng, que acorda em uma cela absolutamente vazia, à exceção de um buraco quadrado em seu meio, e de seu companheiro, um senhor de pouca paciência, Trimagasi. O protagonista percebe, então, que está preso e que nessa prisão as pessoas se encontram em andares, os quais são trocados uma vez ao mês, enquanto a pena de cada um durar.

O buraco no meio da cela tem papel fundamental para a visão de Goreng e para a narrativa deste filme: uma vez ao dia, uma refeição desce, começando pelo andar 1, e vai até o fim do poço. A mesma refeição alimenta todas as cabeças, ou seja, quem está no primeiro andar a tem intacta e, conforme ela baixa pelo buraco, os demais comem o que sobrar - e se sobrar.

Com uma forte mensagem social, a respeito da ganância do ser humano em relação ao bem-estar do próximo, o filme veio em boa hora. Ou, no mínimo, em um momento propício. Pois, de maneira visceral, ele mostra a natureza humana de forma pessimista, ainda que encontre espaço para metáforas e alusões bíblicas. O resultado, portanto, é uma viagem de pouco mais de uma hora e meia.

Em seu tempo de tela, este “O Poço” nos leva a uma série de reflexões, as quais muitas vezes só nos damos conta após o término do filme, pois enquanto ele é exibido não há tempo para reflexões, o que é um excelente artifício do roteiro, ágil, que não estende a discussão mais do que deveria.

Por isso, apesar de se perder em suas alusões bíblicas e metáforas, e deixar a discussão social de lado em parte de sua segunda metade, o filme merece ser conferido mais de uma vez. Em tempos de Covid-19 e do quanto o bem-estar do próximo está em jogo, é uma ótima oportunidade para refletir.

 

Opinião Gweb

Nota do filme (de 0 a 5): 4

Recomendado? Sim. É tenso, bem construído e com uma história que te causará arrepios à medida em que você pensa mais nela.

Onde assistir: Netflix

 

Serviço

O Poço

Ano: 2019

País: Espanha

Duração: 94 min.

Direção: Galder Gaztelu-Urrutia

Classificação: 16 anos