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Em flexibilização, SP prevê até dobrar casos de covid-19 ao fim do mês

coronavírus; SP; retomada; riscos

Por Bruno Ribeiro, Marina Aragão, Paloma Cotes e Ricardo Galhardo

04 de Junho de 2020 as 12:30

O governo do Estado de São Paulo indicou nesta quarta-feira que, na próxima semana, as regiões de Bauru e Barretos devem regredir para a fase laranja de reabertura econômica, mais rígida do que a amarela, em que foram inicialmente classificadas.

Já as regiões de Registro, Taubaté e a Baixada Santista, que estão na fase vermelha, devem evoluir para a fase laranja.

A fase 3 (amarela) de flexibilização permite a reabertura parcial de atividades, como comércio de rua, shoppings, bares e salões de beleza.

Já a 2 (laranja) permite a abertura do comércio com restrições e proíbe o funcionamento de restaurantes.

Na fase 1 (vermelha), a mais restritiva, apenas atividades essenciais, como supermercados e farmácias, podem funcionar.

O plano paulista de reabertura econômica prevê a reclassificação periódica das regiões do Estado, segundo indicadores como a quantidade de leitos disponíveis e o avanço da covid-19.

O governo ainda negocia a situação das cidades da Grande São Paulo, que no momento estão classificadas com a cor vermelha.

Uma reunião com os prefeitos ocorreu ontem.

A eventual migração das regiões de uma cor para a outra deve ser anunciada apenas na quarta-feira da semana que vem.

O prefeito de Bauru, Clodoaldo Gazzetta (PSDB), afirmou ontem que está ciente do indicativo de aumento de restrições e vai acatar as determinações do Estado.

"Se voltar ao laranja, vamos seguir o caminho que está pactuado", disse.

Ele disse ainda que, caso um prefeito decida descumprir as regras do plano, "assume a responsabilidades pelas mortes" que poderão ocorrer por causa da covid-19.

Em coletiva de imprensa no Palácio dos Bandeirantes ontem, o governador João Doria (PSDB) divulgou projeção sobre a evolução da pandemia em junho no Estado.

Os dados apontam que o número total de infectados pode mais do que dobrar até o próximo dia 30, e ficar entre 190 mil e 265 mil casos, ante os atuais 123 mil casos.

Segundo o vice-governador, Rodrigo Garcia (DEM), o processo de reabertura parcial de algumas regiões do Estado foi feito levando em conta essas projeções.

"Não há surpresa nos números apresentados e eles fazem parte desse planejamento na área da Saúde.

" Segundo o governo, em abril o total de casos da doença cresceu dez vezes, passando de 2.

981 para mais de 30 mil casos.

Já em maio, o aumento foi menor, de três vezes, crescendo de 30 mil para cerca de 118 mil casos.

A projeção da área da saúde, segundo Garcia, é de que doença ainda cresça entre 1,7 vez e 2,4 vezes até 30 de junho.

Doria destacou que o Ministério Público Estadual será acionado para tomar medidas contra prefeitos do interior que resolverem adotar medidas de liberação que sejam diferentes daquelas previstas no plano.

Capital O prefeito da capital, Bruno Covas (PSDB), destacou um dos índices que é avaliado para a classificação de uma região: a ocupação dos leitos de UTI.

Ele ressaltou que, pelo segundo dia, a taxa na cidade de São Paulo está abaixo dos 70%, o que colocaria a capital na fase amarela.

"A preocupação é que a gente não retroceda e não volte a crescer em números de solicitação de UTI em São Paulo.

O Estado elencou as regiões e, para todos os indicadores, estamos na fase 2 (laranja) ou na fase 3 (amarela) e para alguns a cidade de São Paulo já está na fase 4 (verde)", disse.

O Estado de São Paulo registrou 282 óbitos por covid-19 em 24 horas, fazendo o total chegar a 8.

276.

Os casos confirmados subiram de 118.

295 para 123.

483.

Alta nos casos Nos primeiros dias de maio, o prefeito de Feira de Santana (BA), Colbert Martins (MDB), viu que o número de casos da covid-19 na cidade era muito baixo, os leitos de UTI estavam quase todos desocupados e decidiu afrouxar as regras de quarentena impostas duas semanas antes.

"Fui liberando aos pouquinhos e quando chegou no Dia das Mães (10 de maio) estava quase tudo aberto, menos bares, restaurantes e academias", disse ele.

Vinte dias depois, Martins foi obrigado a recuar diante do crescimento repentino dos casos em 105%, segundo uma pesquisa da Universidade Federal do Oeste da Bahia.

Os registros de casos saltaram de 15 para mais de 30 por dia.

Hoje a cidade soma 486 pessoas contaminadas e seis mortes pela covid.

O prefeito, que também é médico, diz que não se arrepende, mas aprendeu a lição.

"Primeiro temos de buscar manter a vida.

A economia tem de ser mantida com investimento forte do governo federal nas empresas e no combate ao desemprego", disse ele.

Feira de Santana não é um caso isolado.

Cidades e regiões que anteciparam a retomada das atividades econômicas registraram aumento do número de casos do coronavírus.

Um estudo feito por pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e Universidade da Região de Joinville (Univille) mostra inclinação vertical na curva de contaminações duas semanas após o governo do Estado ter flexibilizado o isolamento.

Segundo o estudo, projeções feitas antes da flexibilização apontavam para um número em torno de 3 mil contaminados no Estado no início de junho.

Ontem, Santa Catarina registrou 9.

660 casos com 148 óbitos.

O levantamento mostra que houve salto de 130% de registros nas duas semanas seguintes à flexibilização da quarentena, anunciada pelo governador Carlos Moisés (PSL) no dia 13 de abril.

Os números saltaram de 853 para 1.

995 registros.

"A situação não está confortável como boa parte das pessoas pensa", disse o pesquisador da Univille André Nogueira.

Em Governador Valadares (MG), a prefeitura decidiu flexibilizar a quarentena, com restrições, no dia 20 de abril, quando a cidade relatava apenas dez casos de covid-19.

No dia 2 de maio, o número já havia triplicado.

Hoje a cidade registra 193 casos confirmados e sete mortes.

Quadro semelhante se repete em outras cidades mineiras, como Ribeirão das Neves, na região metropolitana de Belo Horizonte, que reabriu as portas de maneira controlada no dia 21 de abril.

Minas e Santa Catarina estão entre os nove Estados que iniciaram a flexibilização do isolamento no fim de abril, dando liberdade aos prefeitos para adotarem as medidas que acharem necessárias.

Associação Segundo a superintendente de Vigilância Sanitária de Santa Catarina, Raquel Ribeiro Bittencourt, não é possível associar índices de contaminação no Estado à flexibilização.

"Era um contexto esperado que iria ocorrer com ou sem a flexibilização.

" Para Raquel, outros fatores contribuíram para o resultado da pesquisa, principalmente o aumento de testes, que hoje é de 700 por dia.

Em Minas, o governo Romeu Zema (Novo) lançou na semana passada o programa Minas Consciente, com o objetivo de preparar o Estado para o pós-pandemia sob a ótica econômica.

Segundo o secretário adjunto de Desenvolvimento Econômico, Fernando Passalio, muitos prefeitos tiveram dificuldade para entender as normas de isolamento no início e aproveitaram a flexibilização para liberar o máximo de atividades.

Ele rejeita a hipótese de que o aumento de casos esteja ligado à flexibilização.

Em algumas cidades, diz, a adesão ao programa vai significar uma retração.

As informações são do jornal O Estado de S.

Paulo.