Domingo, 18 de Abril de 2021

Com particulares e ampliação no 3CGru, Guarulhos terá mais 26 leitos de UTI até esta quarta

Leitos no Hospital Bom Clima já começaram a ser usados nesta segunda-feira; Meta da Prefeitura é baixar taxa de ocupação para 75%

Por Texto e foto: Paulo Manso

09 de Junho de 2020 as 12:30

A oferta de leitos de alta complexidade em Guarulhos será ampliada nos próximos dias, com mais 10 no hospital de campanha do Parque Cecap (o 3CGru) e a locação de outros 16 em três hospitais particulares. Na segunda-feira, 8/06, 6 leitos de UTI do Hospital Bom Clima já estavam disponíveis e o local recebeu o primeiro paciente com Covid-19 depois da parceria firmada com a Secretaria Municipal de Saúde.

Entre esta terça e quarta, 9 e 10, os contratos da Prefeitura de Guarulhos com os hospitais Stella Maris e Carlos Chagas devem ser assinados, aumentando em 10 leitos – 4 e 6, respectivamente.

A meta do governo municipal é baixar a média da taxa de ocupação hospitalar em UTIs para 75%, a fim de viabilizar o decreto de flexibilização de setores da economia, que deve começar no dia 15.

Para se ter ideia da importância desses 26 leitos a mais, levando-se em consideração a taxa de ocupação desta segunda, de 96%, cairia para 73,6% na cidade se todos os novos leitos estivessem disponíveis: havia 81 pacientes internados e eram 84 os leitos oferecidos ontem.

O GuarulhosWeb entrevistou nesta terça, por telefone, o secretário municipal da Saúde, José Mário. Ele falou sobre o quanto esse método auxiliou na oferta de leitos, tanto pelo ponto de vista de rapidez quanto de economia aos cofres públicos.

“A locação de leitos particulares é mais barata e rápida. A rapidez é essencial por conta da própria proliferação da doença. E, na questão econômica, montar um leito é muito mais caro. Além dos equipamentos necessários, há a questão da equipe necessária para trabalhar. São pelo menos 8 profissionais a cada leito. Com os hospitais particulares, eles já têm os leitos montados, médicos, enfermeiros e auxiliares”, explicou, lembrando que o governo do Estado, por exemplo, fez uma compra milionária de milhares de respiradores, mas só está recebendo aos poucos.


Processo burocrático de contratação

José Mário explicou todo trâmite do processo que culminou nas assinaturas dos contratos com os hospitais particulares. Segundo ele, foram enviados ofícios a todas as 7 instituições da cidade. Destas, Unimed, Next e Notredame alegaram não ter condições de atender à demanda municipal, por causa do atendimento que já prestam ao seu público.

O Hospital Bom Clima e o Neurocenter apresentavam pendências em algumas certidões. O HBC conseguiu resolver rapidamente essa questão e se juntou a Stella Maris e Carlos Chagas na parceria com a Prefeitura.

“A MP 962 não permite que o município firme contrato se algumas certidões do hospital não estiverem em dia, sob pena, inclusive, de improbidade administrativa. Tomamos todos os cuidados possíveis e na velocidade que a urgência exigia”, afirmou o secretário.

Segundo ele, a contratação dos leitos é mensal e vai durar enquanto persistir a pandemia. “Neste período os leitos são considerados municipais”. O secretário informou que a Prefeitura paga pelo contrato, e não por leito utilizado: outra exigência legal. “Primeiro que todos serão utilizados, tamanha é a demanda. Segundo porque, assim que assinamos os contratos, nós cadastramos os leitos no sistema do SUS. Há, a todo instante, a confrontação dos números pelos tribunais de contas, para verificar o que estamos pagando e o que estamos utilizando. Tudo muito transparente, como deve ser”.

A prioridade de encaminhamento de pacientes para os leitos particulares contratados obedece ao nível de ocupação nos leitos públicos. “Quando tivermos uma taxa igual ou superior a 85% os pacientes passam a ser levados para esses leitos que locamos”, completou José Mário.