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Com nova defesa, Flávio muda estratégia e quer depor

FLÁVIO BOLSONARO/DEFESA/MUDANÇA/DEPOIMENTO

Por Rayssa Motta

24 de Junho de 2020 as 07:31

Os novos advogados de Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) entraram nesta terça, 23, com um pedido para que o senador seja ouvido sobre o suposto esquema de "rachadinhas" - apropriação de parte ou a totalidade do salário dos servidores - em seu antigo gabinete na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).

Luciana Pires e Rodrigo Roca informaram que protocolaram o pedido no Ministério Público do Rio de Janeiro para que Flávio possa "prestar esclarecimentos".

Com a saída de Frederick Wassef do caso, após o ex-assessor Fabrício Queiroz ter sido preso em sua casa em Atibaia, no interior de São Paulo, a dupla assumiu a defesa do senador na investigação sobre os supostos desvios de salários de funcionários da Alerj.

A iniciativa indica uma mudança na estratégia adotada pela defesa até aqui.

Antes disso, em dezembro de 2018, o Ministério Público já havia convocado Flávio a depor, mas o senador não se apresentou diante dos promotores e passou a entrar com uma série de recursos questionando a investigação e pedindo o arquivamento do caso.

O primeiro foi apresentado ao Supremo Tribunal Federal e defendia o direito ao foro junto ao STF, uma vez que Flávio havia sido eleito ao Senado.

O recurso acabou negado pelo ministro Marco Aurélio Mello.

Depois disso, a defesa de Flávio passou a apontar irregularidades, segundo os advogados, nos relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) que identificaram movimentações atípicas de R$ 1,2 milhão nas contas de Queiroz e arrastaram o então deputado para o centro da investigação criminal.

O recurso também acabou negado pelo STF no final do ano passado.

Amanhã, a Justiça do Rio vai julgar um pedido de habeas corpus apresentado pela defesa do senador em março.

Caso a maioria dos cinco desembargadores da 3ª Câmara Criminal concorde com os argumentos dos advogados, todas as medidas cautelares adotadas no caso das "rachadinhas", incluindo as quebras de sigilo e a prisão de Fabrício Queiroz, podem ser anuladas.

Dobradinha Na sexta-feira passada, 19, um dia após a prisão de Queiroz, o Ministério Público Federal no Rio de Janeiro intimou o senador a prestar depoimento em uma segunda investigação relacionada ao caso.

A intenção é que Flávio seja ouvido sobre supostos vazamentos da PF na Operação Furna da Onça.

A investigação faz parte do procedimento aberto para apurar declarações feitas pelo ex-aliado do governo, o empresário e pré-candidato à prefeitura do Rio, Paulo Marinho (PSDB), de que o filho mais velho do presidente foi previamente avisado da operação que trouxe à tona as movimentações atípicas nas contas de Queiroz.

As informações são do jornal O Estado de S.

Paulo.