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A 40 dias do retorno do circuito, casos de covid-19 no tênis causam preocupação

tênis; circuito; coronavírus; ATP; Djokovic

Por Felipe Rosa Mendes

24 de Junho de 2020 as 07:30

Faltando 40 dias para o retorno do circuito profissional de tênis, os jogadores, os organizadores dos torneios e os fãs ganharam um grande motivo para se preocupar nos últimos dias.

A contaminação de quatro tenistas relevantes do circuito por covid-19, num torneio de exibição organizado pelo sérvio Novak Djokovic, causa apreensão diante dos seguidos adiamentos da volta das competições.

E faz lembrar que a disputa dos campeonatos, como eram antes, deve ainda demorar para acontecer.

O susto no mundo do tênis começou no domingo, quando o búlgaro Grigor Dimitrov revelou ter testado positivo para o novo coronavírus.

No dia seguinte, fizeram o mesmo o croata Borna Coric e os sérvios Viktor Troicki e Djokovic.

A esposa dos dois últimos também foram infectadas, assim como o técnico Christian Groh e o preparador físico Marko Paniki.

O retorno do circuito está programado para 3 de agosto, para o caso das competições femininas, em Palermo, na Itália, país que foi o epicentro da pandemia na Europa.

Os torneios masculinos serão retomados um pouco depois, no dia 14, em Washington, nos Estados Unidos, recordista em número de infectados e mortos até agora.

Tanto a ATP quanto a WTA já avisaram que os torneios serão realizados sem a presença da torcida.

Mas os casos positivos contraídos durante o chamado Adria Tour, com jogos de exibição na Sérvia e na Croácia na última semana, aumentaram a preocupação dos envolvidos porque, mesmo sem torcida, cada campeonato vai reunir centenas de pessoas.

Competições como as agendadas para Palermo e Washington mobilizam cerca de 500 pessoas, entre tenistas e suas equipes, organizadores, patrocinadores e pessoal responsável pela transmissão para a televisão.

Torneios maiores, como os Masters 1000, reúnem até 800 pessoas.

No caso dos Grand Slams, a cifra é ainda maior.

Afinal de contas, cada evento deste porte pode exigir até 3.

200 pessoas, segundo apurou o Estadão.

E, logo na retomada do circuito, os tenistas terão pela frente dois Slams: o US Open e Roland Garros.

O presidente da ATP, Andrea Gaudenzi, admitiu nesta semana que mesmo medidas mais rígidas podem não ser suficientes para evitar eventuais contágios.

"Temos que ser cuidadosos porque temos que ter a consciência de que, mesmo com medidas extremas, podemos ter alguns jogadores com testes positivos", declarou o dirigente, ao jornal The New York Times.

Dias antes do resultado positivo de Djokovic, a ATP foi rápida ao reafirmar seu compromisso de manter as datas estipuladas para o retorno do circuito masculino.

"A ATP e outras partes interessadas fizeram planos exaustivos para mitigar os riscos por meio de uma variedade de precauções e protocolos a serem implementados nos eventos.

Continuamos a planejar e ajustar essas precauções e protocolos de acordo com as informações médicas mais recentes e priorizamos a segurança na avaliação de todas as decisões.

" NOVA REALIDADE - O torneio liderado por Djokovic escancarou que o formato anterior das competições não poderá ser mantido ao menos nesta temporada, enquanto a pandemia estiver fazendo vítimas pelo mundo.

Apesar de liberado pelas autoridades sanitárias dos países envolvidos, o evento não contou com exigências de distanciamento social e uso de máscaras.

Milhares de torcedores se amontoaram nas arquibancadas, como se houvesse risco zero de contaminação.

Aglomerações aconteceram com frequência, até mesmo no chamado Kid's Day, dia em que tenistas interagem com o público infanto-juvenil.

Há fotos mostrando Djokovic e outros atletas quase abraçados a dezenas de crianças e adolescentes.

Em quadra, boleiros tinham contato constante com os tenistas, que faziam o mesmo entre si e com os juízes, algo que vem sendo vetado em outras exibições, já sob a ótica do "novo normal" no tênis - as bolinhas agora contam com as iniciais dos atletas para evitar o contato com o outro lado da rede.

Nas exibições na Croácia e na Sérvia, houve aglomerações também em eventos de marketing e divulgação dos jogos, inclusive com partidas de futebol e de basquete e festas noturnas em ambientes fechados.

O contágio envolvendo os tenistas mostra que ativações do tipo poderão ser repensadas na retomada do circuito.