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Líder indígena critica ideia de 'extrativismo inesgotável' do País

desenvolvimento econômico; Aílton Krenak

Por Tulio Kruse

25 de Junho de 2020 as 07:33

Convidado para debater modelos de desenvolvimento para o Brasil, o líder indígena Aílton Krenak afirmou que os recursos no País tem sido encarados como uma "plataforma extrativista inesgotável" e que meras declarações de que direitos de povos tradicionais devem ser preservados são, para ele, cinismo.

No painel "Que desenvolvimento queremos?", no Brazil Forum UK, ele questionou a possibilidade de conciliar a preservação do meio ambiente com metas de produção agrícola e energética.

"Seria cinismo a gente insistir num debate dizendo que os povos tradicionais tem algum direito e que as florestas e os rios tem uma política de preservação", disse Krenak.

"O Brasil é uma plataforma extrativista.

" Participaram do painel também a senadora Kátia Abreu (PP-TO), a quilombola ativista Valéria Pôrto, e o ex-ministro da Fazenda e ex-presidente do BNDES Joaquim Levy.

O consenso entre os debatedores foi que, sem levar em conta as condições em que vivem comunidades marginalizadas, o desenvolvimento ficará pela metade.

"Não somos realmente desenvolvidos se tivermos gente que ficou para trás.

Existe esse aspecto de universalidade do desenvolvimento", disse Levy.

Ele também frisou a importância da preservação de recursos naturais e culturais para a sustentabilidade de negócios e do próprio desenvolvimento do País.

"Há esse balanço entre querer crescer, fazer mais coisas, e conhecer os limites.

Isso é saber aproveitar o recurso, como patrimônio da sociedade, tanto o recurso natural quanto o recurso cultural, a diversidade.

Todo mundo já descobriu que você consegue chegar mais longe há mais diversidade de visões.

" Sobre diversidade cultural, a ativista quilombola Valéria Pôrto reforçou a importância da manutenção de tradições para a sobrevivência de sua comunidade, que desenvolve técnicas de agroecológia para subsistência.

"Pensamos num desenvolvimento que`consiga trazer políticas públicas que dialoguem com o conhecimento que nós trazemos em nossas bases.

" A senadora Kátia Abreu, ex-presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), começou sua participação no painel lembrando que suas respostas sobre desenvolvimento podem ter mudado muito nos últimos dez anos.

Ela afirmou que não é necessário desmatamento para aumentar a produção da agricultura no Brasil - e defendeu o aumento de produtividade com tecnologia, sem expandir os territórios para cultivo.

"Nós não temos motivo para brigar por terra", disse a senadora.

"Só precisamos de inteligência e bom senso para satisfazer todos os brasileiros.

O Brasil não precisa ser assim: ou cabe índio ou cabe branco, ou cabe quilombola, não existe isso no Brasil.

" As informações são do jornal O Estado de S.

Paulo.