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Dona de casa entrega marmitas para crianças e pessoas em situação de rua em Guarulhos

Três vezes por semana ela sai por Guarulhos para entregar marmitas preparadas pelas experientes mãos às crianças e moradores de rua da cidade

Por Lucas Canosa

28 de Junho de 2020 as 10:42

Maria Estela Neves, de 59 anos, é uma dona de casa empenhada em ajudar o próximo. Três vezes por semana ela sai por Guarulhos para entregar marmitas preparadas pelas experientes mãos às crianças e moradores de rua da cidade.

"A vida toda gostei de servir macarrão, doces, brinquedos, lanches da tarde para crianças e adultos carentes. Mas, quando começou a pandemia, fiquei muito triste em saber que as pessoas que vivem nas ruas abandonadas. Outro dia, meu irmão foi trabalhar e me ligou falando que viu um senhor revirando o lixo, achou alguma coisa e começou a comer. Chorei e no outro dia decidi, junto com meu marido, filhos e noras a fazer as marmitinhas e levar às ruas de Guarulhos", conta Maria Estela.

Além do marido, Jacques que, aos 71 anos não pode fazer parte das entregas neste momento por pertencer ao grupo de risco, a equipe da voluntária conta com os parceiros Airton, Célio, Darlene e Sandra, além do filho Ricardo. O primogênito, Rogério, faleceu em 1996.

Ela explica que, com o crescimento das ações, a situação financeira começou a se agravar. "Então fui às redes sociais pedir ajuda e, desde então, é assim que consigo fazer as marmitas duas vezes por semana. Aos domingos entrego na comunidade do Parque Primavera, onde eu moro", continua.

Normalmente, Maria Estela frequenta locais como as praças Oito de Dezembro, IV Centenário e Getúlio Vargas, além do ginásio Thomeuzão e encostas de supermercados, como Extra, Assai e Chocolândia, no Centro. "Comecei com cinquenta, nos potinhos de margarina vazios e limpinhos, agora são 100 , nas embalagens de isopor", comemora.

Questionada sobre o que a move para sair de casa, em meio à pandemia para, três vezes por semana servir o próximo, Maria Estela não titubeia. "Amor ao próximo. Já senti muita fome e sofri humilhações. Meus irmãos e eu fomos criados pela misericórdia de Deus e pela bondade das pessoas", conclui.