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Policiais de Guarulhos são investigados por extorquir dinheiro de filho de traficante

O caso teria ocorrido após o pedido de prisão de Anderson Lacerda Pereira

Por Redação GuarulhosWeb

05 de Julho de 2020 as 18:42


Quatro policiais de Guarulhos são investigados pela Corregedoria da Polícia Civil, acusados de extorquir Gabriel Donadon, 24 anos, filho de Anderson Lacerda Pereira, um dos maiores narcotraficantes do país, ligado a uma facção criminosa. Eles são acusados por usar clínicas médica para lavagem de dinheiro e prestar atendimentos para criminosos. A suspeita é de envolvimento com a máfia italiana Ndrangheta e procura pela Interpol.

Gabriel Donadon foi à Corregedoria em 16 de fevereiro deste ano denunciar que teve de pagar R$ 400 mil em espécie e dar uma Land Rover aos investigadores após ser detido por eles uma semana antes em Mogi das Cruzes. Os policiais, a princípio, queriam R$ 5 milhões e teriam alegado que a quantia exigida seria por causa de “pendência de valores” do pai dele.

Foragido da Justiça, Pereira responde a inquérito no 4º Distrito Policial de Guarulhos por lavagem de dinheiro. A operação intitulada “Soldi Sporchi” (Dinheiro Sujo) aconteceu no dia 3 de junho. Na ação a polícia cumpriu 60 mandados de busca e apreensão e 22 mandados de prisão temporária contra suspeitos de envolvimento em lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Anderson é acusado de ter montado, com dinheiro do tráfico de drogas, 38 clínicas médicas e odontológicas e uma empresa de limpeza, que prestam serviços para prefeituras, além de ter adquirido 15 casas em um condomínio de luxo em Arujá.

Procurado pelo UOL, o delegado Evandro Lopes Salgado, da Divisão de Crimes Funcionais da Corregedoria, investiga a denúncia, mas não quis se manifestar sobre o caso. Os policiais são suspeitos de praticar concussão (quando um servidor público exige para si ou outra pessoa, direta ou indiretamente, vantagem indevida). A pena para esse crime varia de dois anos a 12 anos de prisão.

As versões sobre a detenção de Gabriel Donadon são divergentes. Ele alega que foi detido em Mogi das Cruzes por três investigadores e levado para o 4º DP de Guarulhos em um carro da Polícia Civil. Segundo ele, um dos policiais dirigiu a Land Rover até a sede do distrito.

Gabriel acrescentou que na delegacia, um dos investigadores pegou um telefone celular e ligou para um policial do 1º DP de Guarulhos. Esse policial, na versão do filho do narcotraficante, conversou com ele e exigiu os R$ 5 milhões, dizendo que tratava-se da “pendência de valores” de Anderson Pereira. Gabriel ainda contou que esse policial do 1º DP de Guarulhos o conhece porque é vizinho dele em um condomínio no Arujá.

Os investigadores têm outra versão sobre os fatos. Alegam que investigavam Anderson Pereira e apuraram que ele estaria em Mogi das Cruzes, em 9 de fevereiro deste ano, a bordo da Land Rover branca, placas OVZ-0123. Eles sustentam que fizeram diligências em Mogi, mas no local indicado encontraram Gabriel Donadon, o filho do narcotraficante.

Na operação “Soldi Sporchi”, ao menos 11 pessoas foram presas, incluindo dentistas, um médico, um ex-secretário municipal de Arujá, além da ex-mulher e da mãe de Anderson Pereira. Todos alegam que são inocentes, não integram organização criminosa e jamais fizeram lavagem de dinheiro.

Na sexta-feira 3/06, a Justiça prorrogou a prisão temporária por mais 30 dias para a grande maioria dos acusados. Anderson Pereira e o filho Gabriel estão, até o momento, foragidos.