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Parques de SP têm clima alegre na reabertura

CORONAVÍRUS/SP/REABERTURA/PARQUES

Por Gonçalo Junior

14 de Julho de 2020 as 12:00

Dois sentimentos opostos marcaram os frequentadores dos parques no primeiro dia de reabertura após a quarentena.

O primeiro foi a alegria de retomar a atividade física e o contato com natureza, além de oferecer às crianças mais uma opção de lazer.

Por isso, o movimento foi grande.

Mas também houve desconforto com o uso obrigatório da máscara, principalmente na hora de correr, caminhar e pedalar, as únicas atividades permitidas neste momento da flexibilização.

Nos Parques do Ibirapuera e do Carmo, o uso incorreto da máscara foi mais frequente.

O Estadão percorreu cinco endereços nas zonas sul, leste e oeste.

O primeiro foi o Ibirapuera, cartão-postal da cidade.

Houve filas nos portões antes da abertura, às 6h.

Havia até euforia com o retorno das atividades ao ar livre depois de três meses.

Um ciclista passou gritando "voltamos, voltamos" perto do Museu de Arte Moderna (MAM) no início da manhã.

A cidade de São Paulo tem 108 parques municipais.

Com o fechamento por causa da pandemia, em 21 de março, parte dos frequentadores passou a praticar atividades físicas no entorno das áreas verdes.

Muita gente, no entanto, parou.

Foi o caso da aposentada Eunice Pereira, de 64 anos.

"O parque fez muita falta.

É como se estivesse recomeçando tudo hoje.

Foi muito bom tirar as roupas de ginástica do armário", conta a moradora da Santa Cecília.

O uso obrigatório da máscara, no entanto, causou reclamações.

Alegando dificuldade para se exercitar, muitos usavam a máscara na orelha, no queixo ou no bolso (quando havia).

"Tem muita gente sem máscara.

A gente corre o risco de ter o parque fechado de novo se continuar assim.

E as pessoas não gostam que alguém corrija", diz a administradora Marcelle Noronha, de 38 anos.

O Estadão presenciou fiscais da Prefeitura em pontos diferentes do parque, orientando sobre a necessidade do uso correto.

Não há multa, apenas orientação.

A maioria dos frequentadores - é preciso destacar - usava máscara.

Entre eles estava a fisioterapeuta Izabela Cozza, de 37 anos.

Ela trata de pacientes graves de covid-19 na UTI do Hospital Sancta Maggiore na Mooca, zona leste.

Na linha de frente do combate à pandemia, auxilia na parte respiratória dos pacientes que, em geral, estão entubados.

"A doença no seu estágio mais grave tem alto índice de mortalidade.

Não é fácil ver famílias perdendo seus entes queridos diariamente.

" Nesse contexto, o esporte tem papel importante na sua vida.

Ontem, ela aproveitou que a reabertura dos parques caiu exatamente no dia de sua folga para pedalar.

"O parque é meu quintal.

Frequento há anos.

Eu costumo fazer compras no mercado de bike.

Como soube que estaria aberto, dei uma passadinha no parque antes, para matar a saudade", diz a moradora da Vila Mariana, na zona sul.

Outras medidas de prevenção estão sendo seguidas no parque mais famoso da cidade.

Os banheiros estão sinalizados, alertando sobre a necessidade de distanciamento físico de 2 metros.

Funcionários de bares e restaurantes e até os vendedores ambulantes, logo antes da venda da água de coco, oferecem álcool em gel.

O Parque do Carmo também abre às 6 horas - os outros abrem às 10 horas.

Um dos principais endereços de lazer na zona leste mostrou inúmeros contrastes.

Faltaram água e sabão em alguns banheiros.

Por outro lado, o gramado da entrada da Avenida Afonso de Sampaio e Sousa tinha círculos para assinalar onde cada família poderia ficar, para marcar o distanciamento social.

Além disso, havia distribuição de álcool em gel em vários pontos.

As informações são do jornal O Estado de S.

Paulo.