Quinta Feira, 22 de Abril de 2021

Após cumprir objetivo, hospital de campanha de Guarulhos é desativado 

De um total de pouco mais de 800 pacientes de alta complexidade que ficaram internados no 3CGRU, mais de 600 se recuperaram e puderam voltar para a casa, além de pouco mais de 120 transferências realizadas

Por Foto: Márcio Lino

02 de Setembro de 2020 as 19:23

Com mais de 600 pacientes salvos após ficarem internados em média entre 15 a 30 dias em leitos de UTI ou de alta complexidade, o hospital de campanha de Guarulhos, conhecido como 3CGru (Centro de Combate ao Coronavírus) está sendo desativado nesta sexta-feira, 4 de setembro. Durante live nesta quarta-feira, o prefeito Guti garantiu que o encerramento só foi possível porque o complexo cumpriu sua missão no momento mais crítico da pandemia na cidade. “Agimos rápido para garantir toda a assistência necessária àqueles infectados pelo coronavírus. Não fosse o hospital de campanha, com certeza, as famílias guarulhenses teriam sofrido muito mais. Queríamos ter salvo a todos. Mas isso não foi possível em nenhum lugar do mundo, diante de uma doença nova, que pegou todos de surpresa”, explicou.  

A decisão por montar um hospital de campanha se deu assim que a pandemia foi decretada, em 12 de março. Logo na primeira semana, baseado em experiências de outros países já atingidos pela Covid, a Prefeitura buscou no mercado empresas capacitadas em operar estruturas hospitalares móveis. “Não havia naquele momento qualquer exemplo no país de um hospital de campanha estruturado. Era necessário estabelecer um modelo e agir”, disse o prefeito. “Enfrentamos uma guerra invisível. Não dava para esperar o inimigo avançar. Precisamos nos antecipar e garantir que nenhum guarulhense ficasse sem atendimento hospitalar”.  

Um hospital especializado em atendimento médico com estrutura em eventos, como grandes festivais de músicas, rodeios e competições esportivas, como a Fórmula 1, por exemplo, foi escolhido para operar o 3CGru, aberto apenas sete dias após o início das obras em 21 de março. “O Brasil estava começando a se fechar, as pessoas assustadas com os primeiros casos. Abrimos o atendimento por drive thru já no dia 27, recebendo pessoas com sintomas que poderiam ser de Covid-19, a fim de evitar que elas fossem para nossas unidades de saúde, podendo contaminar outras pessoas”, explicou.  

Depois de 5 meses, finalmente o hospital é desativado com números muito expressivos. De um total de pouco mais de 800 pacientes de alta complexidade que ficaram internados no 3CGRU, mais de 600 se recuperaram e puderam voltar para a casa, além de pouco mais de 120 transferências realizadas, o que representa uma taxa de recuperação de 87,5%. Nesse período, foram contabilizados mais de 39.700 atendimentos no local, incluindo internações, consultas médicas e encaminhamentos para isolamento domiciliar, bem como 89.560 exames (bioquímicos, ultrassom, tomografia computadorizada e raio X) e registrados 86 óbitos. 

O prefeito revela que o hospital – que tinha 74 leitos entre abril e junho e passou para 84, sendo 24 de UTI a partir de então - somou mais de 12 mil diárias. “Não era possível contratarmos esses leitos no setor privado, que também ficou sobrecarregado principalmente entre maio e junho. Também seria impossível criarmos estruturas fixas e permanentes em nossas unidades hospitalares municipais, já que as obras poderiam durar meses. Precisávamos de um hospital pronto em uma semana. Não havia alternativas viáveis que não fosse construir um hospital de campanha. Aliás, o próprio nome diz. É uma estrutura provisória para momentos de excepcionalidade, como o o que vivemos. Ou alguém no mundo previu que teríamos este problema?”, diz.  

Guti reconhece que o valor investido no 3CGru – cerca de R$ 33 milhões – pode ser considerado alto por muitas pessoas, principalmente por quem não precisou utilizar de seus serviços ou não teve um familiar internado lá. “Mas entendemos que uma vida não tem preço. Tem valor. Salvamos mais de 600 pessoas no 3C. Se precisasse gastar tudo de novo para salvar essas vidas, eu faria da mesma forma. Sabemos que o investimento não foi em vão. Fizemos o que tinha de ser feito”. Numa conta rápida, é possível afirmar que cada pessoa atendida no local custou cerca de R$ 800,00 aos cofres públicos. Se considerar apenas os pacientes salvos, que ficaram internados e foram curados, foram investidos pouco mais de R$ 50 mil em cada um. “Isso é caro? Para essas famílias e para mim, com certeza não”, ratifica.  

O fechamento do 3CGru só foi possível devido a vários índices, que são acompanhados diariamente pela Secretaria Municipal de Saúde. Após várias semanas houve a queda na taxa de ocupação de leitos municipais de UTI e de enfermaria para o tratamento da Covid-19. No início de junho, Guarulhos chegou a atingir quase 100%. Nesta semana, está em torno de 40%. Segundo números divulgados pelo Governo do Estado, o número de mortes em decorrência no mês de agosto foi 53% inferior ao registrado em julho. Novos casos caíram 14,8%, justamente no período em que o Município passou a realizar mais testes. Foram mais de 30 mil testes rápidos aplicados na população nas unidades de saúde e nos mutirões realizados em diferentes pontos da cidade.  

Com o encerramento das atividades no 3CGru, a orientação da Secretaria de Saúde é para que as pessoas que tiverem sintomas leves de Covid-19 procurem uma Unidade Básica de Saúde (UBS). Já os casos moderados e graves que apresentarem febre e falta de ar devem buscar assistência médica nos serviços de pronto-atendimento (UPAs e PAs) ou nos hospitais da cidade.