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É possível bailar?

dança; escolas; reabertura; precauções

Por Gilberto Amendola

16 de Setembro de 2020 as 08:00

Se o baile começou e você ficou sem par, calma, não se preocupe: dançar sozinho é o que existe de mais recomendável.

Pelo menos, por enquanto.

Depois de quase seis meses, as escolas de dança de salão estão retomando suas atividades - que estiveram suspensas por consequência da pandemia de covid-19.

O desafio não é pequeno.

Como ensinar a dançar com distanciamento social? Baile sem mão na cintura? Sem nenhum contato? Como dançar bolero, tango, forró ou samba de gafieira sem estar juntinho? Sim, os professores e especialistas garantem que é possível.

Na Escola de Dança Celso Vieira, por exemplo, todo o processo foi adaptado para o período pandêmico.

As salas têm no máximo 10 pessoas, com dois metros de distanciamento entre elas.

Na chegada, os alunos passam por medição de temperatura e por um tapete sanitizante.

E, claro, o álcool está espalhado por todos os cantos.

As aulas estão com horários reduzidos e o uso de máscara é obrigatório.

A questão, porém, é viabilizar uma aula de dança em que todos estão sem seus pares (ou não podem tocá-los).

"Adaptamos o desenvolvimento de técnicas em que o aluno evolui sem precisar dançar com um parceiro.

Trabalhamos os ritmos, o equilíbrio, movimentos mais lúdicos e a musicalidade", disse Celso Vieira, proprietário da escola que leva o seu nome.

Clóvis Jurado, da Casa de Dança Carlinhos de Jesus, contou que, a princípio, os passos serão aprendidos de forma individual, mas que, assim como outras escolas, estuda a possibilidade de implementar turmas com casais (namorados, marido e mulher) ou pessoas que já morem junto.

"Mesmo sem um parceiro, é possível atingir um bom nível de dança", falou.

Na academia Milena Malzoni Dance Center, a proprietária contou que, mesmo antes da pandemia, já falava a seus alunos sobre consciência corporal que, primeiro, deveria ser atingida individualmente.

"Para ser bom junto, a dança tem de ser boa sozinha", afirmou Milena.

Segundo Milena, essa também é uma oportunidade, principalmente para as mulheres, de não depositar todas as expectativas da dança no outro.

"A gente ouvia muito coisas como: Se ele me levar, eu vou (no contexto de uma dança).

Algumas mulheres deixam ser rebocadas, como cones da CET.

Aprendendo sozinhas, elas ganham mais consciência corporal e confiança.

" Online É verdade que muitas escolas promovem aulas online.

Apesar do sucesso, professores e alunos não se iludiram com os resultados.

"Oferecemos a possibilidade do online para que mantivéssemos contato com os alunos.

Nos reinventamos por meio do Zoom (plataforma de videoconferência).

Ensinamos até mesmo os alunos mais idosos a usar essa ferramenta.

Ainda assim, optamos por movimentos mais lúdicos.

A impossibilidade de acompanhar de perto e corrigir movimentos fez com que tivéssemos cuidado com as aulas a distância", lembrou Vieira.

"Apesar disso, acredito que essa é uma modalidade que veio para ficar", completou.

Do lado dos aprendizes, o online roubava o que de mais precioso parece existir em uma aula de dança: a sociabilização.

"A dança é social.

A presença física é essencial.

Tem o olhar, o ambiente.

Nada supera uma aula presencial", disse Villdene Feola, de 57 anos.

A dança, segundo muitos alunos, tem a capacidade de fazer com que a pandemia desapareça por uns minutos.

"Ela transporta a gente para outro lugar.

E tudo desaparece.

O prazer de dançar é revigorante", garantiu Andréia Roman Cruz, de 45 anos.

O envolvimento com os passos de dança faz com que os alunos também se esqueçam de qualquer incômodo provocado pelo uso da máscara.

Terapia Não é raro encontrar quem comemore a volta das aulas presenciais por uma questão de saúde mental.

"Uso a dança como terapia.

Meu trabalho me deixa muito estressada.

Dançar é minha válvula de escape", disse a produtora de eventos Heliane Garcia, de 37 anos.

"Ficar sem dançar é muito difícil, terrível.

A dança é uma terapia.

Não sei viver sem dançar.

É algo que eu faço desde muito pequena.

É parte de quem eu sou", afirmou Maria Ester Carrião, de 44 anos.

Apesar das dificuldades impostas pelo coronavírus, existe um consenso entre os donos de escola de dança.

É provável que, segundo eles, o pós-covid se transforme em uma época de ouro para esse tipo de atividade.

"Parte do que é a dança vem dessa vontade do abraço.

Hoje, estamos impedidos.

Mas, logo, iremos valorizar mais essa possibilidade do abraço e do contato físico", explicou Vieira.

"As pessoas vão perceber que não vale a pena investir somente em suas profissões e seu trabalho.

Vão procurar aquilo que lhes dá prazer", disse Jurado.

"Acredito que as pessoas vão procurar ocupar o tempo livre com coisas que resultem em melhor qualidade de vida", completou Milena.

As informações são do jornal O Estado de S.

Paulo.