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Candidato a vereador é morto após ser atacado em live em MG

eleições 2020; MG; Cássio Remis; assassinato

Por Leonardo Augusto, especial para O Estadão

24 de Setembro de 2020 as 22:30

O candidato a vereador em Patrocínio, no Alto Paranaíba, em Minas Gerais, Cássio Remis (PSDB), foi assassinado a tiros na tarde desta quinta-feira, 24, depois de fazer uma live criticando obras que estavam sendo realizadas pela prefeitura.

Remis, de 37 anos, estava em frente a uma casa em que, segundo ele, poderia começar a funcionar o comitê de campanha de seu adversário político na cidade, o prefeito Deiró Marra (PSB), ex-deputado estadual.

De acordo com a Polícia Militar em Patrocínio, o suspeito de ter cometido o crime é Jorge Marra, secretário de Obras da cidade e irmão do prefeito.

Ele está foragido.

Na live, é possível ver o candidato, que também é presidente do PSDB em Patrocínio, falando sobre as obras.

Cássio Remis para durante a gravação e começa a filmar um homem que desce de uma caminhonete, vai em sua direção e pega seu celular.

Segundo a PM, em seguida o candidato foi à Secretaria Municipal de Obras para tentar recuperar o aparelho, quando foi atingido e morto nas proximidades do imóvel em que a pasta funciona.

A polícia fez buscas para localizar o secretário.

Cássio Remis já foi vereador e presidiu a Câmara Municipal de Patrocínio.

A reportagem tenta contato com a prefeitura da cidade.

Na transmissão ao vivo que fez antes de morrer, o candidato acusava a prefeitura de colocar equipamentos públicos para obras que beneficiariam o prefeito, candidato à reeleição no município.

"Estamos aqui na avenida que está servindo para reforma (sic) e para nossa surpresa, mas não para nossa estranheza, nós nos deparamos desde ontem com um arsenal de funcionários da prefeitura sendo utilizados para fazer o calçamento de onde possivelmente será o comitê do prefeito Deiró Marra.

" Ao perceber a chegada do homem que desce da caminhonete, o candidato retira o telefone, que parecia estar sobre um tripé, passa a filmar a pessoa que se aproxima e diz: "tá agora o secretário.

Chegaram aqui para me agredir.

Entendeu?".

Há uma discussão, mas inaudível.

O telefone parece cair.

Em seguida, o secretário teria conseguido deixar o local levando o aparelho.

Ao tentar recuperá-lo na secretaria, o candidato foi morto.

O presidente estadual do PSDB, deputado federal Paulo Abi-Ackel, divulgou nota sobre o assassinato do candidato.

"O PSDB de Minas Gerais manifesta seu mais profundo repúdio à extrema violência que se abateu sobre o presidente municipal do PSDB de Patrocínio, Cássio Remis dos Santos, de 37 anos.

Nenhuma divergência política justifica a substituição do debate e das diferenças por meios violentos, ainda mais em se tratando de vidas humanas", afirmou.