Sábado, 06 de Março de 2021

Somente 6% das bonecas no mercado online são negras, diz pesquisa

bonecas negras; Brasil; levantamento

Por Bárbara Correa

15 de Outubro de 2020 as 16:26

O número de bonecas negras disponíveis para compra no mercado online continua muito distante do número de crianças negras no Brasil.

Enquanto 53,6% da população do País é negra (segundo IBGE), apenas 6% das bonecas disponíveis nos sites de fabricantes da Associação Brasileira de Fabricantes de Brinquedos (Abrinq) representam essas pessoas. Esse dado faz parte da terceira edição do levantamento sobre a disponibilidade de modelos de bonecas à venda: Cadê Nossa Boneca, da Avante Educação e Mobilização Social.

Ao todo, foram identificados 1093 modelos de bonecas em 14 sites de fabricantes de brinquedos associados à Abrinq.

De todas as empresas pesquisadas, apenas oito possuíam bonecas negras em seus inventários.

Nos estudos realizados em 2016 e 2018 os números foram semelhantes: 6,3 e 7%, respectivamente.

Mostrando que, mesmo depois de quatro anos de pesquisa, a representatividade das bonecas não teve uma mudança significativa.

Especialistas do levantamento avaliam esse cenário como preocupante, uma vez que a autoidentificação, que acontece durante o processo de brincar, é fundamental para o desenvolvimento da autoestima das crianças. "Ter bonecas pretas é necessário para uma educação mais justa, para alcançar as ideias de diversidade, de valorização do sujeito, de fortalecimento da autoestima, das inter-relações pessoais e sociais da criança", afirma Ana Marcílio, psicóloga, consultora associada da Avante e idealizadora da campanha.

Ao lado de Ana, a psicóloga Mylene Alves também é idealizadora do Cadê a Nossa Boneca e explica que para os adultos se tornarem emocionalmente saudáveis, com autoestima e tolerância, é preciso olhar para o aprendizado e socialização das crianças.

"A criança apreende o mundo por meio do brincar.

É essencial que ela tenha referências para que compreenda a si mesma e receba estímulos para que entenda que vive e convive com outros num ambiente de diversidade.

Muito do que nos tornamos quando adultos está enraizado na nossa infância, de forma que para sermos emocionalmente saudáveis", explica Mylene.