Sexta Feira, 16 de Abril de 2021

OMS faz 'forte recomendação' contra uso de hidroxicloroquina na prevenção à covid

coronavírus; OMS; cloroquina; recomendação contrária

Por Marco Antônio Carvalho

01 de Março de 2021 as 21:55

Um painel de especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou nesta segunda-feira, 1º, uma recomendação contrária ao uso da hidroxicloroquina como método de prevenção para a covid-19.

Eles dizem que os estudos não mostraram efeitos significativos sobre mortes ou internações e apontaram riscos de efeitos adversos provocados pela substância.

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) defendeu o uso do remédio ao longo da pandemia, embora várias pesquisas tenham mostrado que ele não tem eficácia contra o vírus.

A nova recomendação é de autoria do Grupo de Desenvolvimento de Diretrizes (GDG, na sigla em inglês) da OMS.

Os especialistas dizem que a "forte recomendação" é baseada em evidências de alta certeza obtidas em seis estudos randomizados e controlados com 6 mil participantes. "A evidência de alta certeza mostrou que a hidroxicloroquina não teve efeito significativo em mortes e admissões em hospitais, enquanto evidência de certeza moderada mostrou que a hidroxicloroquina não teve efeito significativo sobre infecções confirmadas em laboratório e provavelmente aumenta o risco de efeitos adversos", declarou a OMS em nota à imprensa. O grupo, diz a organização, considera que a droga não tem mais prioridade para pesquisa e que os recursos devem ser usados para avaliar outras drogas mais promissoras na prevenção contra o vírus.

"Essa diretriz se aplica a todos que não têm covid-19, independentemente da exposição a uma pessoa com a infecção", reforçou. A recomendação desta segunda é a primeira versão de uma diretriz voltada a medicamentos capazes de prevenir a doença.

O objetivo da OMS é promover orientação confiável sobre a gestão da covid e ajudar médicos a tomarem melhores decisões para seus pacientes.

A diretriz poderá ser atualizada diante de evidências.

Novas recomendações serão acrescentadas no momento em que estudos de relevância se tornarem disponíveis. A cloroquina e a hidroxicloroquina integram orientação oficial emitida pelo Ministério da Saúde no ano passado, com recomendação voltada a casos leves, moderados e graves.

Neste ano, um aplicativo da pasta chegou a sugerir os remédios até a bebês, e foi retirado do ar.

O Estadão mostrou que as prefeituras que receberam a doação do ministério agora querem devolver os medicamentos sem eficácia.