Sexta Feira, 16 de Abril de 2021

FALA AÍ – Caos na 2ª onda da pandemia é maior desafio da carreira de gestores da Unimed Guarulhos

O GuarulhosWeb falou com Francisco Nishi e Graciane Mechenas sobre o aumento de casos de Covid-19

Por Lucas Canosa

12 de Março de 2021 as 07:46

"Existe um caos e não podemos dizer que está tudo bem. Não está". A frase é de Francisco Nishi, presidente da Unimed Guarulhos quando questionado sobre a quantidade de leitos para pacientes Covid-19 disponíveis na unidade. Ele e a doutora Graciane Mechenas, diretora clínica da unidade I do complexo Oito de Dezembro, falaram com exclusividade ao GuarulhosWeb nesta quinta-feira, 11/03, dia em que o número de casos e mortes pela doença voltou a bater recorde no País.

"O sistema está em colapso. Se tivermos que buscar vagas no sistema Unimed, nós não temos. Temos que nos virar assim mesmo, e é por isso que existe um sacrifício muito grande das equipes. O que acontece no SUS é a realidade", alertou Nishi.


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A Unimed Guarulhos tem divulgado seus números em meio à pandemia e, constantemente, publica boletins informativos atualizando os dados, inclusive a ocupação dos leitos. Na última segunda-feira, 8/3, o sistema colapsou - atingiu 100%. O índice já foi reduzido, mas ainda preocupa.

"A gente estava com momentos de comemorações e chegamos a ter uma sexta-feira com apenas dois pacientes internados, nenhum na UTI. Estávamos tomando fôlego, mas agora enfrentamos uma explosão de casos. Estamos nos reinventando e tomando novas atitudes para atender o paciente com qualidade", enfatizou Graciane a respeito da segunda onda.

A médica também lembrou que casos que envolvem outras patologias, não tão frequentes durante o auge do isolamento, voltaram a acontecer. O exemplo citado por ela foram os acidentes de trânsito, que ocorrem em menor número quando as pessoas estão em casa.

A empresa suspendeu as cirurgias eletivas para economizar os leitos e só está operando pacientes realmente necessários. No meio dessa guerra, os gestores não escondem o esgotamento físico e psicológico que a pandemia trouxe. Além disso, alguns profissionais da linha de frente não suportaram a pressão e pediram demissão dos cargos. Contudo, na Unimed Guarulhos, nenhum colaborador morreu em decorrência do vírus, o que traz um conforto aos médicos diante de tanta notícia ruim.

Graciane e Nishi, com anos de experiência na medicina, venceram diversas crises na área da saúde. Admitem, entretanto, que jamais enfrentaram um desafio tão grande na carreira. "Eu tenho 25 anos de formação e é o maior desafio da minha carreira. Já fui gestora pública, trabalho com serviços públicos desde o meu primeiro ano de formada. Fui gestora de pronto-socorro, enfrentei a dengue, estava na Secretaria da Saúde na época da febre amarela, perdi 30 pacientes sem vacina e este é o maior desafio da história", afirmou Graciane.

"Eu sou formado há 41 anos e já tivemos muito desafios, passamos por várias situações. Mas talvez este seja o momento mais desafiador. Ninguém esperava passar por uma situação dessa. Porém, existe uma valorização das pessoas, do setor de saúde, que estava desacreditado e fez a sociedade voltar a acreditar", concluiu Nishi.