Sexta Feira, 16 de Abril de 2021

Dr. Jairinho e mãe de Henry Borel são presos no Rio pela morte do menino

Polícia suspeita que Henry tenha morrido depois de ser submetido por Dr. Jairinho a uma sessão de torturas, com o conhecimento de Monique

Por Wilson Tosta

08 de Abril de 2021 as 08:14

Policiais da 16ª DP (Barra da Tijuca, Rio) prenderam na manhã desta terça-feira, 8, o vereador da capital fluminense Jairo Souza Santos Júnior, o Dr.

Jairinho (Solidariedade), e a companheira com quem vivia, a professora Monique Medeiros.

As prisões temporárias ocorreram no inquérito que apura a morte do filho dela, Henry Borel Medeiros, de 4 anos, em 8 de março. A polícia cumpriu mandados de prisão temporária expedidos pela juíza Elizabeth Louro Machado, do II Tribunal do Júri do Rio.

A polícia sustenta que o menino morreu após ser agredido pelo político, que era seu padrasto.

Detido em Bangu, na zona oeste da cidade, o casal ficará preso, inicialmente, por 30 dias.

Segundo os policiais, os dois atrapalhavam as investigações, intimidando testemunhas e combinando versões. Henry morreu no Hospital Barra DOr, na Barra da Tijuca há um mês.

Foi levado para lá pelo casal, que alegava tê-lo encontrado desmaiado no quarto onde a criança dormia.

O menino estaria com olhos revirados, pés e mãos geladas e dificuldades para respirar.

Segundo os médicos, o garoto chegou ao estabelecimento em parada cardiorrespiratória.

No Instituto Médico-Legal, a necropsia constatou múltiplos sinais de trauma, como equimoses, hemorragia interna e ferimentos no fígado, típicos de agressão.

A Polícia suspeita que Henry tenha morrido depois de ser submetido por Dr.

Jairinho a uma sessão de torturas, com o conhecimento de Monique.

À polícia, o casal afirmou suspeitar que o menino tivesse se ferido em uma queda.

Os ferimentos, contudo, não são compatíveis com isso.

Câmara A vereadora Teresa Bergher (Cidadania), do Conselho de Ética da Câmara Municipal do Rio, pedirá ainda nesta quinta que Dr Jairinho seja afastado do órgão.

O conselho se reunirá as 18h, na sala das comissões da Câmara.

Jairinho ingressou no Conselho de Ética em 11 de março, três dias após a morte do menino.

Se for afastado, o seu suplente no conselho e o vereador Luiz Ramos filho (PMN). "Precisa ser afastado imediatamente.

Pela imagem da Casa, pela credibilidade de cada um de nós vereadores e por respeito a esta criança vítima de um cruel assassinato e a toda população que representamos", disse Teresa.

Ligação para o governador Depois da morte do menino, Dr.

Jairinho telefonou para o governador Claudio Castro (PSC) e relatou o ocorrido, segundo o jornal O Globo.

Castro afirmou ter dito que o caso seria investigado pelas autoridades responsáveis, sem interferências.

Há relatos de que o vereador teria procurado outras autoridades.

Nas investigações, a polícia colheu depoimentos de outras agressões supostamente cometidas pelo político, envolvendo mulheres e crianças.

A defesa dele nega. Dr.

Jairinho é filho do ex-deputado estadual Coronel Jairo (SDD), que foi preso na Operação Furna da Onça e atualmente é suplente na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).