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Novo Mogli nos cinemas: melhor e bem feito

O bom nos tempos de hoje é que na área cinematográfica, graças à evolução do CGI – imagens geradas por computador, a famosa computação gráfica – é possível transformar cada vez mais uma história de quadrinhos ou um desenho animado em um excelente filme, ou para ser mais exato, em um excelente live- action, termo usado para definir os trabalhos que têm relação ou origem com animação, HQ, videogame, anime e mangá, e que são feitos por atores reais. “Mogli – O Menino Lobo” lançado recentemente nos cinemas é um deles. 
 
Dirigido por Jon Favreau (de “Homem de Ferro”), a nova aventura épica live-action é baseada nas histórias de Rudyard Kipling e inspirada no clássico de animação da Disney de 1967, “Mogli – O Menino Lobo”, considerado perfeito para a época em termos técnicos – foi o 19º filme de animação dos estúdios Disney e também o último feito por Walt Disney, que faleceu durante sua produção. Mais tarde, em 1994, a empresa lançaria um filme live-action fraco, “O Livro da Selva”, estrelado por Jason Scott Lee, e, em 2003, “Mogli – O Menino Lobo 2”, uma sequência animada do longa de 1967, também fraquíssimo tanto em conteúdo como na qualidade técnica.
 
“Mogli – O Menino Lobo” de hoje não é daqueles desenhos que viram filmes “toscos”, onde os bichos são reais e apenas as bocas se mexem para falar. Aqui, os animais feitos em CGI são perfeitos, com expressões de pessoas reais, assim como os cenários, no caso a floresta, onde se passa o filme. Nada de colorido forte – uma característica presente no desenho de 1967 e ideal para época – e sim contraste de cores naturais. Inclusive a noite é mostrada com perfeição. Outro destaque é a bela fotografia.
 
Talvez para os mais exigentes, o ponto fraco do filme seja a história, a mesma das produções anteriores: Mogli (o novato Neel Sethi se encaixou perfeitamente para o personagem), um menino criado por uma família de lobos, é ameaçado pelo temido tigre Shere Khan (voz de Idris Elba, de “Star Trek Beyond”), que promete eliminar o garoto, por considerar uma ameaça. Forçado a abandonar a floresta, Mogli é guiado pela pantera e mentora Bagheera (voz de Ben Kingsley, de “A Travessia”) para uma aldeia de homens, onde poderá viver com segurança. No caminho, Mogli encontra outras criaturas da selva, algumas bondosas outras não, como o debochado urso Baloo (voz de Bill Murray, de “Encontros e Desencontros”), a sedutora e hipnotizadora cobra Kaa (voz de Scarlett Johansson, de “Vingadores: Era de Ultron”) e o senhor dos macacos, Rei Loiue (voz de Christopher Walken, de “O Franco Atirador”), que tenta convencer Mogli a contar o segredo da ilusória flor vermelha mortal: o fogo. 
 
Na versão brasileira, alguns personagens mais emblemáticos ganharam vozes de grandes atores e atrizes. Os fiéis amigos de Mogli, o urso Baloo e a pantera Bagherah, são dublados por Marcos Palmeira e Dan Stulbach. Julia Lemmertz dá vida à Raksha, a mãe-loba. Emprestando sua voz à misteriosa serpente Kaa está Alinne Moraes. O temido tigre Shere Khan e o malandro orangotango Rei Louie têm Thiago Lacerda e Tiago Abravanel, respectivamente. 
 
“Mogli – O Menino Lobo” é um filme de ação e aventura para toda a família, com boas cenas de perseguição e bonita trilha de suspense, além de uma montagem ágil. Tem pouquíssimas piadas e apenas duas músicas (ainda bem): uma com o Rei Louis e a famosa “Necessário, somente o necessário”, com o urso Baloo, que realmente não poderia faltar. O que não prejudica o filme. Vale a pena curtir.