Em live, Bolsonaro promete mais 60 milhões de doses de vacina até abril

A média móvel de óbitos por covid-19 no Brasil ficou em 1.361 nesta quinta-feira, 4, o maior patamar já registrado em toda a pandemia. A média leva em consideração dados dos últimos sete dias e na prática significa que 9,5 mil pessoas morreram na última semana pela doença no País. A marca é atingida no mesmo dia em que o presidente Jair Bolsonaro disse que "chega de frescura e mimimi". "Vão ficar chorando até quando?", questionou em evento que participou em Goiás.

A quantidade de pessoas que morreram em decorrência da covid-19 nas últimas 24 horas foi de 1.786, de acordo com dados divulgados pelo consórcio de veículos de comunicação. É a segunda maior marca diária da pandemia, só atrás do dado desta quarta-feira, 3, que ficou em 1.840. Com o número, o País, que vive o seu pior momento no combate à doença, ultrapassou a marca de 260 mil mortos, chegando a um total de 261.188 óbitos.

Os dados do consórcio, formado pelo <b>Estadão</b>, <i>G1</i>, <i>O Globo</i>, <i>Extra</i>, <i>Folha</i> e <i>UOL</i>, são coletados junto às secretarias estaduais de Saúde. No último dia, São Paulo registrou 313 mortes, seguido por 188 no Rio Grande do Sul e 160 em Minas Gerais, Estados que lideraram nas estatísticas absolutas de mortes nesta quinta-feira. As cidades paulistas se preparam para entrar em um novo período de fase vermelha a partir deste sábado, 6, numa tentativa de frear a propagação do vírus.

O patamar diário de mortes do Brasil pode passar a ser o mais elevado do mundo nas próximas semanas. Isso porque hoje o País só fica atrás dos registros dos Estados Unidos. Mas os americanos têm avançado com uma ampla vacinação, com cerca de 80 milhões de doses já aplicadas, o que tem feito os dados registrarem quedas consecutivas. A média móvel de óbitos diários nos Estados Unidos tem ficado abaixo de 2 mil vítimas, o que não acontecia desde o início de dezembro.

Os dados do consórcio mostram que o Brasil registrou 74.285 novos casos da doença nas últimas 24 horas, chegando a um total de 10.796.506 diagnósticos confirmados. Segundo dados do Ministério da Saúde, o Brasil tem 9.591.590 pessoas recuperadas da doença, em meio a 10.718.630 casos confirmados. Os números diferem em relação aos apurados pelo consórcio em razão do horário de coleta.

O Ministério Público Federal, por meio de procuradores de 24 Estados e do DF, assinou recomendação ao Ministério da Saúde nesta quinta-feira para que adote com urgência, em todo o território brasileiro, medidas para conter a transmissão do novo coronavírus.

"O MPF pede providências a serem tomadas de forma imediata para evitar o iminente colapso nacional das redes pública e privada de saúde. Uma das demandas é que a pasta comandada por Eduardo Pazuello formule uma matriz de risco objetiva, baseada em critérios técnicos, que embase a adoção de medidas de distanciamento social, de acordo com a situação epidemiológica e a capacidade de atendimento de cada localidade", declarou em nota a instituição.

<b>Consórcio dos veículos de imprensa</b>

O balanço de óbitos e casos é resultado da parceria entre os seis meios de comunicação que passaram a trabalhar, desde o dia 8 de junho, de forma colaborativa para reunir as informações necessárias nos 26 Estados e no Distrito Federal. A iniciativa inédita é uma resposta à decisão do governo Bolsonaro de restringir o acesso a dados sobre a pandemia, mas foi mantida após os registros governamentais continuarem a ser divulgados.

Em live, Bolsonaro promete mais 60 milhões de doses de vacina até abril

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou, em transmissão ao vivo nas redes sociais nesta quinta-feira, 4, que o Brasil terá, ainda em março, 20 milhões de doses de vacina contra a covid-19 disponíveis e mais 40 milhões em abril. A quantidade informada pelo chefe do Planalto bate com a previsão do Instituto Butantan de entregar 21 milhões de doses da Coronavac até o fim do mês para aplicação pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Na live, o presidente também apontou que o Ministério da Saúde já contratou 400 milhões de doses de diferentes fármacos até janeiro de 2022 e que haveria mais 178 milhões de doses de vacinas "em tratativas". Bolsonaro lembrou ainda a confirmação, pela Pasta, de compra de 100 milhões de doses da Pfizer, que o governo federal vinha recusando desde o segundo semestre de 2020, e de 38 milhões de doses da Janssen.

O Ministério comandado por Eduardo Pazuello só anunciou a aquisição dos imunizantes da Pfizer e da Janssen após a aprovação, pelo Congresso Nacional, do projeto de lei (PL) 534/2021, que autorizou a União, Estados e municípios a assumir os riscos de responsabilização civil por eventuais efeitos adversos pós-vacinação. Antes disso, o Planalto vinha alegando "óbices jurídicos" para justificar a recusa em fechar contratos com as farmacêuticas.

Outro elemento do PL, a que parlamentares atribuem a rápida confirmação da Pasta de que compraria as vacinas, é a permissão para que Estados, municípios e o setor privado as comprem diretamente com laboratórios, sem necessidade de intermédio da União.

Apesar da demora em concretizar a aquisição de imunizantes que eram oferecidos há meses ao Executivo federal, Bolsonaro se queixou na live de que, na sua visão, "alguns teimam em dizer que o governo não se preocupa com vacina". "Agora, vêm essas narrativas que somos negacionistas, não acreditamos em vacinas, aquela história toda para boi dormir, como fizeram na minha campanha em 2018", falou.

Ele repetiu, como já fizera em várias lives no passado, que a aplicação da vacina contra a covid-19 será voluntária e não haverá sanções, por parte de seu governo, para aqueles que decidirem não recebê-la.

Ainda sobre as vacinas, Bolsonaro buscou defender que sempre teria dito que todas as vacinas certificadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) seriam compradas pelo Ministério da Saúde. A alegação contradiz com o episódio em que o presidente desautorizou Pazuello após o ministro anunciar um protocolo de compra da Coronavac, principal bandeira do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), no enfrentamento à pandemia.