Economia

Taxas futuras reagem ao IBC-Br e ao acirramento da crise política

As taxas dos contratos futuros de juros com prazos curtos terminaram esta sexta-feira, 17, em leve baixa, reagindo principalmente aos números do Índice de Atividade do Banco Central (IBC-Br). Já os juros longos encerraram com ganhos ante os patamares de ontem, em meio à crise política e a movimentos técnicos. No centro das atenções, a ampliação do risco político, após o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), romper oficialmente com o Planalto.

No fim da sessão regular, a taxa do DI para outubro de 2015 estava em 13,960%, ante 13,965% no ajuste de ontem. A taxa do contrato para janeiro de 2016 ficou em 14,02%, ante 14,05% no ajuste anterior. Entre os contratos mais longos, o DI para janeiro de 2017 fechou a 13,45%, ante 13,54%, e o vencimento para janeiro de 2021 marcava 12,62%, ante 12,61%.

Depois de dois meses consecutivos de baixa, o IBC-Br trouxe alívio ao demonstrar certa estabilidade na margem em maio, conforme informou pela manhã o Banco Central. Em maio, o indicador teve alta de 0,03%. O resultado, no entanto, ficou abaixo da mediana das estimativas apuradas pelo AE Projeções, de +0,10%, com 20 instituições financeiras. O intervalo dessa amostragem ia de -0,40% a +0,50%.

O indicador passou de 142,51 pontos (dado revisado) em abril na série dessazonalizada para 142,55 pontos em maio. Na série observada, é possível identificar uma redução de 1,72% nos 12 meses encerrados em maio. Nos primeiros cinco meses deste ano, a retração acumulada já está em 2,78%.

A avaliação foi de que os números seguem ruins e, por isso, o Banco Central estaria mais próximo do fim do atual ciclo de aperto monetário. Por isso a queda das taxas na ponta curta.

Em outro sinal de que a economia vai mal, o saldo líquido de emprego formal em junho foi negativo em 111.199 vagas, conforme os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados á tarde pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

Na ponta longa de juros, o ambiente político definiu o avanço dos juros, sendo que profissionais também citaram operações específicas para justificar o movimento. Numa delas, players vendiam taxa do DI para 2017 e compravam a do contrato para janeiro de 2021.

Em Brasília, o governo movimentava-se na tarde de sexta-feira para reduzir a pressão política. A secretaria de Comunicação da Presidência divulgou nota sobre sua aliança com o PMDB. E o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, quando questionado sobre os riscos trazidos por Cunha às reformas econômicas, afirmou que o deputado “sempre mostrou muita imparcialidade”.

Ainda assim, a percepção entre os investidores era de que o governo, com o rompimento de Cunha, tem agora um inimigo declarado, que pode ameaçar o ajuste fiscal.