A plataforma de perfuração SS-39 (Alaskan Star), afretada à Petrobras pela Queiroz Galvão, foi interditada pelo Ministério do Trabalho e pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) após a identificação de irregularidades nas condições de trabalho da embarcação, alocada no campo de Albacora, na Bacia de Campos. De acordo com a inspeção, foi identificado “grave e iminente risco aos trabalhadores”.
A vistoria foi realizada entre os dias 16 e 20 de março, quando o Ministério do Trabalho determinou a paralisação das atividades. A ANP, por sua vez, reiterou a interdição na segunda-feira, condicionando a retomada das operações a uma nova inspeção, prevista para esta quinta-feira, 27. Cerca de 100 trabalhadores atuam na unidade, que apresentou problemas no plano de contingência e fuga, armazenamento de explosivos e instalações elétricas.
Entre as irregularidades, a inspeção identificou a “falta de condições para o abandono da plataforma em caso de emergência”. Apenas uma embarcação de retirada dos trabalhadores (baleeira) estava em condições de operação. Uma segunda baleeira estava danificada, indicando que não havia capacidade para a saída de todos os operários em caso de acidentes.
Também a segunda opção para o plano de fuga, a saída por balsas estava irregular em função de as rotas estarem “corroídas, com degraus danificados” e sem acesso ao mar. O acesso a áreas de risco na plataforma, como a área de armazenamento de explosivos, também apresentava problemas estruturais, como “falta de aterramento elétrico, de tapetes de isolamento e tampas de proteção em quadros de eletricidade”.
Segundo o Ministério Público do Trabalho (MPT), que acompanhou as fiscalizações, foi identificado também o armazenamento irregular de materiais inflamáveis nas “pernas” da plataforma. O mesmo problema é apontado como a causa de um princípio de incêndio na unidade, em 2012. Na ocasião, a plataforma ficou adernada, com leve inclinação, e foi interditada.
Para retomar as atividades, a empresa responsável pela unidade precisará atender às condições dos órgãos fiscalizadores, como “a elaboração de plano seguro para o abandono da plataforma em caso de acidente, adequação da estrutura elétrica, retirada de materiais inflamáveis das pernas da unidade e armazenagem adequada dos explosivos”. Uma investigação será aberta no Ministério Público do Trabalho para apurar se a empresa responsável pela embarcação está cumprindo as exigências de segurança na unidade.
A unidade SS-39 fica a cerca de 190 km da costa de Macaé, no Norte Fluminense. Ela pertence à construtora Queiroz Galvão, desde 1994, mas está afretada à Petrobras para a operação no campo de Albacora, na Bacia de Campos.
Procuradas pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, Petrobras e Queiroz Galvão ainda não se pronunciaram sobre a interdição da plataforma.


