Economia

Juros futuros encerram em baixa, com recuo do dólar e trégua na crise política

O cenário político local menos tenso nesta segunda-feira, 10, de agenda esvaziada e o dólar em baixa levaram os juros a devolver prêmios. Desse modo, as taxas recuaram, na medida em que cessaram, por ora, novidades negativas do noticiário em Brasília e o governo parece estar se mobilizando em torno da recuperação da governabilidade.

O DI janeiro de 2016 encerrou a sessão regular da BM&FBovespa em 14,37%, de 14,48% no ajuste de sexta-feira. O DI janeiro de 2017 caiu de 14,31% para 14,15%, e o DI janeiro de 2021 terminou em 13,66%, de 13,81%. O dólar à vista negociado no balcão caiu 1,71%, para R$ 3,4500, fechando na mínima do dia.

Ao contrário, no exterior, os juros dos Treasuries já vinham em alta e subiram ainda mais após o presidente da regional de Atlanta do Federal Reserve, Dennis Lockhart, afirmar que setembro permanece como uma possibilidade real para a alta nos juros e que o relatório de emprego de julho foi bastante satisfatório, sem sinais alarmantes. Perto das 16h30, o retorno da T-Note de dez anos estava em 2,234%, de 2,172% no final da tarde de sexta-feira.

Os investidores seguiram acompanhando a movimentação em Brasília em torno das medidas fiscais que têm de ser votadas no Congresso. Diante das críticas de que o Congresso tem dificultado a aprovação das pautas do ajuste econômico, ontem, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB), disse, em sua conta no Twitter, não ser culpado pelas derrotas do governo e que não tem como controlar os votos dos parlamentares.

Já a presidente Dilma quer se encontrar com líderes dos partidos aliados para tentar recompor sua base de apoio nos próximos dias, pois no domingo estão marcados protestos contra o governo por todo o País. Nesta segunda-feira, durante entrega de casas do Minha Casa Minha Vida, no Maranhão, ela fez um apelo para que as lideranças coloquem o País em primeiro plano. Segundo ela, o Brasil precisa mais do que nunca de pessoas que pensem primeiramente no bem do País e não “em seus partidos e projetos pessoais”. “Quando há dificuldades, não adianta brigar um com outro, porque não vai resolver a situação. É necessário que medidas urgentes sejam tomadas.”

Em outra frente, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, se reuniram nesta tarde para discutir sobre o projeto que revê a política de desoneração da folha, que passa a trancar a pauta do Senado nesta semana. Nesta tarde, o senador Romero Jucá (PMDB-RR) disse que o governo quer votar a medida e encerrar o ajuste fiscal e que o Senado apresentará em até 20 dias “medidas para um horizonte econômico”.