As principais bolsas da Europa encerraram o pregão desta terça-feira, 11, em queda, pressionadas pelo anúncio da desvalorização do yuan pelo Banco do Povo da China (PBoC, na sigla em inglês). O índice pan-europeu Stoxx 600 recuou 1,55%, para 393,61 pontos. Os investidores ignoraram que o tão esperado acordo da Grécia com credores internacionais foi alcançado na manhã desta terça-feira.
Na madrugada desta terça-feira, o PBoC anunciou a desvalorização de 1,9% do yuan, após indicadores divulgados no final de semana mostrarem que o país teve um superávit primário bem menor do que o esperado por analistas em julho.
Embora tenha afirmado que seu objetivo é alinhar as taxas de câmbio no mercado e ter dito que a medida ocorrerá somente uma vez, a ação do PBoC alimentou os temores em relação ao crescimento da China e pesou sobre o sentimento em relação às commodities.
“As empresas relacionadas com matérias-primas estão sentindo a dor da decisão de Pequim e a fé não será restaurada na indústria de commodities até que as ações da China mostrem sinais de melhora”, escreveu, em uma nota enviada a clientes, o analista do IG David Madden.
O recuo do petróleo e dos metais básicos pressionou a bolsa de Londres, que fechou em queda de 1,06%, aos 6.664,54 pontos. As ações da petroleira BP caíram 1,30% e as da mineradora Glencore recuaram 7,26%.
Além disso, a desvalorização do yuan acendeu o alerta dos exportadores em todo o planeta, uma vez que os produtos chineses se tornam ainda mais baratos para os compradores internacionais. “O movimento da China é altamente negativo para as moedas de países que vendem para o país e também para aquelas que competem em outros mercados com Pequim”, disse o chefe de estratégia de câmbio da IronFX Global, Marshall Gittler.
Desta forma, a bolsa de Frankfurt, altamente exposta a companhias exportadoras, teve o pior desempenho entre as principais praças europeias. O índice DAX recuou 2,68%, para 11.293,65 pontos. Os papéis das montadoras foram destaque entre as baixas: Daimler perdeu 5,15%, BMW caiu 4,26% e Volkswagen se desvalorizou 3,69%.
Em Milão, as ações de empresas de produtos de luxo, que exportam bastante para a China, tiveram o pior desempenho na sessão. Os papéis da Salvatore Ferragamo caíram 5,50% e os da Tod perderam 3,18%. O índice de referência FTSE-MIB fechou na mínima, aos 23.698,49 pontos (-1,12%).
O índice CAC-40, da bolsa de Paris fechou em queda de 1,86%, aos 5.099,03 pontos. A bolsa de Madri recuou 1,41%, para 11.152,30 pontos, e a de Lisboa baixou 1,82%, para 5.516,37 pontos.
Na contramão dos principais mercados do continente, a bolsa de Atenas fechou em alta de 2,14%, aos 705,00 pontos. A forte valorização ocorreu após a Grécia e seus credores internacionais chegarem a um acordo sobre as regras do terceiro pacote de resgate financeiro, no valor de 86 bilhões de euros.


