Economia

Juros fecham em alta em dia de nervosismo no mercado internacional

As taxas de juros negociadas no mercado futuro terminaram em alta na BM&FBovespa nesta segunda-feira, 24, em meio à forte turbulência no cenário internacional. A China voltou ao centro das atenções com a queda de 8,5% do índice Xangai, o que espalhou o temor diante dos reflexos negativos da desaceleração da economia chinesa no mundo.

Com a queda do mercado acionário chinês, todas as principais bolsas internacionais operaram em baixa. A desaceleração da economia chinesa também criou incertezas sobre quando os EUA irão iniciar o processo de normalização dos juros locais. Havia expectativa de que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) começasse a elevar os juros em setembro. O enfraquecimento da China, no entanto, pode adiar essa decisão até mesmo para 2016.

Diante das incertezas, os investidores buscaram posições defensivas, o que significa, em grande medida, reduzir a exposição a mercados mais voláteis e aumentar o investimento em mercados mais sólidos. Como reflexo da maior demanda por ativos seguros, as taxas dos títulos do Tesouro americano operaram em baixa durante todo o dia. No fim da tarde, o T-Note de dois anos tinha taxa de 0,572%, enquanto o título de dez anos tinha a taxa reduzida para 2,006%.

O nervosismo vindo do exterior se sobrepôs a fatores domésticos, que foram acompanhados, mas tiveram pouca influência sobre os preços dos ativos no Brasil. Ainda assim, causou incômodo aos investidores a incerteza quanto à permanência de Michel Temer na articulação política. O mercado também mostrou algum desconforto com a ausência do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, em viagem a Washington, em meio à turbulência internacional.

Em meio ao cenário internacional turbulento, às incertezas no plano político nacional e à alta do dólar, o mercado futuro de juros ajustou as taxas para cima. A alta foi mais acentuada nos vencimentos intermediários dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI). O contrato com vencimento em janeiro de 2016 fechou a sessão regular com taxa de 14,25%, ante 14,18% no ajuste de sexta-feira. O DI de janeiro de 2017 ficou em 14,07%, de 13,81% no ajuste anterior. Os DI para janeiro de 2019 fecharam com taxa de 13,99%, contra 13,67%. Na ponta mais longa, o contrato com vencimento em janeiro de 2021 terminou o dia com taxa de 13,90%, ante 13,67%.