O sonho do título mundial escapou nos detalhes. Em uma final épica, intensa e marcada pelo desgaste físico extremo no Emirates Stadium, em Londres, o Corinthians foi derrotado pelo Arsenal por 3 a 2 na prorrogação, neste domingo (1). Após um empate eletrizante em 2 a 2 no tempo normal, decidido apenas nos acréscimos, a equipe inglesa contou com um erro na saída de bola das Brabas para garantir o gol do título no tempo extra. O Timão lutou até o último minuto e ficou com o vice-campeonato do Mundial Feminino.
Primeiro tempo: pressão inglesa e resposta rápida
O início da partida foi complicado para o Corinthians, que encontrou dificuldades diante da forte marcação e da intensidade do Arsenal empurrado por sua torcida. Logo aos 14 minutos, após pressão pelo lado direito, Smith aproveitou um rebote dentro da área depois de defesa parcial da goleira Lelê e abriu o placar para as inglesas.
Mesmo em desvantagem, o Corinthians mostrou personalidade e reagiu rapidamente. Aos 20 minutos, após cobrança de escanteio, Gabi Zanotti apareceu bem posicionada na pequena área e desviou de cabeça. A bola ainda contou com uma indecisão da goleira Anneke Borbe antes de morrer no fundo das redes, decretando o empate e recolocando as Brabas no jogo.
Segundo tempo: novo golpe e reação no apagar das luzes
No segundo tempo, o duelo ficou ainda mais físico e truncado, com poucas chances claras. O Arsenal voltou a ficar à frente do placar em jogada aérea: Wubben-Moy subiu livre após cobrança de falta lateral e marcou de cabeça, fazendo 2 a 1. A partir daí, o Corinthians passou a se lançar ao ataque, mesmo visivelmente desgastado.
Quando o título parecia encaminhado para as inglesas, veio o momento de pura resiliência corintiana. Já nos acréscimos, após bola levantada na área, a arbitragem assinalou pênalti para o Timão. Vic Albuquerque assumiu a responsabilidade e, com extrema frieza, converteu a cobrança aos 50 minutos, deslocando a goleira e levando a decisão para a prorrogação. Até ali, Lelê já havia sido decisiva com defesas espetaculares, mantendo o Corinthians vivo na final.

Prorrogação: erro fatal, drama e tentativa final
O tempo extra começou com as duas equipes claramente exaustas. A intensidade caiu, mas o Arsenal seguiu mais organizado. Aos 13 minutos da primeira etapa da prorrogação, Duda Sampaio perdeu a bola no meio-campo, permitindo um contra-ataque em vantagem numérica. Foord recebeu pela esquerda, avançou com liberdade e finalizou com precisão no canto de Lelê, marcando o gol que acabou decidindo o título mundial.
Mesmo abatido, o Corinthians não desistiu. Pouco depois, Vic Albuquerque quase voltou a empatar a partida em uma cabeçada forte dentro da área, mas Borbe apareceu bem para evitar o gol, naquela que foi uma das últimas grandes chances do Timão.
Choque, paralisação e tensão até o fim
A reta final da prorrogação foi marcada por tensão e apreensão. Em disputa de bola, a goleira Anneke Borbe se chocou com a atacante Jhonson e sofreu uma pancada forte no rosto. O jogo ficou paralisado por cerca de seis minutos até que a atleta deixasse o campo de maca, sendo substituída por Van Domselaar. Pelo protocolo de concussão da Fifa, o Corinthians teve direito a uma substituição extra e colocou Ariel Godoi em campo.
Nos minutos finais, o Timão ainda tentou o tudo ou nada. Gisela Robledo arriscou de fora da área, e a bola passou muito perto da trave, arrancando suspiros da torcida brasileira. Contudo, o empate não veio, e o apito final confirmou o título do Arsenal.

Premiação
Com a conquista, o Arsenal recebe 2,3 milhões de dólares (cerca de R$ 11,9 milhões). O Corinthians, vice-campeão mundial, fatura 1 milhão de dólares (aproximadamente R$ 5,2 milhões), encerrando sua campanha com uma atuação histórica e digna de aplausos.


