A iniciativa, que envolve as empresas Fictor Holding e Fictor Invest, visa reorganizar os compromissos financeiros do grupo e preservar a continuidade das operações em meio a uma grave crise de liquidez que vem se agravando desde o final do ano passado.
De acordo com o comunicado da companhia, o pedido tem como pano de fundo os desdobramentos da tentativa de aquisição do Banco Master em novembro de 2025, um dia antes de a instituição ser **decretada em liquidação extrajudicial pelo Banco Central (BC). A operação, que contaria com um aporte de cerca de **R$ 3 bilhões liderado pelo próprio Fictor e investidores estrangeiros, acabou suspensa após a intervenção das autoridades.
Segundo a empresa, a repercussão negativa dessa tentativa de compra afetou fortemente sua reputação no mercado, gerando um volume expressivo de notícias desfavoráveis e impactando diretamente sua liquidez. Como resultado, fornecedores, clientes e investidores passaram a adotar posturas mais cautelosas, intensificando pedidos de retirada de recursos e pressionando o fluxo de caixa do grupo.
O valor total das dívidas que motivaram o pedido de recuperação judicial é estimado em aproximadamente R$ 4 bilhões, segundo relatado pela própria Fictor e confirmado por análises da imprensa especializada. A medida busca garantir um ambiente de negociação estruturada com credores, suspender execuções e bloqueios por, pelo menos, 180 dias — prazo inicial previsto na legislação — e permitir que o grupo renegocie seus compromissos sem interromper as atividades.
Em nota, a empresa enfatizou que a recuperação judicial é uma estratégia para equilibrar a operação, preservar empregos e manter as operações em funcionamento, destacando que, até o momento, não havia registro de atrasos antes da crise de liquidez identificada no fim do ano passado.
O Grupo Fictor, que também atua nos setores de infraestrutura, alimentos, energia e meios de pagamento, é conhecido por sua presença em mercados nacionais e internacionais e também por contratos de patrocínio esportivo. Analistas acompanham agora os desdobramentos da recuperação judicial e seus possíveis impactos sobre fornecedores, clientes e a confiança dos investidores no médio prazo.


