Política

Entidades pedem que Lula vete projeto que cria penduricalhos para parlamentares

Dez organizações da sociedade civil enviaram ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva um pedido formal para que ele veto integralmente dois projetos de lei aprovados pelo Congresso Nacional, chamados de penduricalhos.

Oa projetos criam a chamada licença indenizatória — um benefício que permitiria aos servidores da Câmara dos Deputados e do Senado Federal converter dias de folga em pagamento extra.

As entidades classificam essa nova licença como um “penduricalho” e um retrocesso nos padrões de gastos públicos, argumentando que sua sanção pode elevar despesas e criar precedentes para benefícios semelhantes em outras áreas da administração pública.

O que é a licença indenizatória

A proposta hoje em tramitação no Legislativo prevê que servidores da Câmara e do Senado possam usufruir de licença compensatória — que, na prática, permite que dias de folga não utilizados sejam convertidos em pagamento em dinheiro, sem incidência de imposto de renda ou contribuição previdenciária.

No caso da Câmara dos Deputados, o texto estabelece que o servidor poderia ter até um dia de licença para cada três dias trabalhados, com limite de dez dias por mês. Já no Senado, a proporção varia entre um dia de licença a cada dez dias trabalhados e um dia a cada três dias de exercício.

Críticas das entidades

Segundo as organizações, a institucionalização desse benefício pode:

  • Elevar os gastos públicos, criando pagamentos fora do teto constitucional de remuneração;

  • Gerar efeito cascata na administração pública, com possibilidade de outras categorias reivindicarem regras semelhantes;

  • Resgatar práticas já abolidas, como a antiga licença-prêmio por assiduidade.

As entidades destacam que esse tipo de benefício não prevê contrapartidas claras e pode sobrecarregar os cofres públicos, em um momento em que há esforços para controlar despesas governamentais.

Decisão do STF fortalece pedido de veto

O pedido de veto ganhou ainda mais força após uma decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), publicada na quinta-feira (5), que suspendeu o pagamento de verbas indenizatórias sem previsão legal explícita.

Para as organizações, sancionar os projetos agora contradiz a determinação do STF e dificulta a eficácia da medida judicial, além de abrir espaço para a continuidade de práticas que já foram consideradas inadequadas.

Quem são as entidades que pedem o veto

O pedido foi enviado por um grupo de instituições focadas em transparência pública e controle de gastos, incluindo:

  • Republica.org

  • Transparência Brasil

  • Associação Fiquem Sabendo

  • Centro de Liderança Pública

  • Movimento Brasil Competitivo

  • Movimento Orçamento Bem-Gasto

  • Plataforma Justa

  • Transparência Internacional – Brasil
    …entre outras organizações da sociedade civil.

O que está em jogo

A decisão de sancionar ou vetar os projetos cabe ao presidente da República, que tem a prerrogativa de avaliar se as propostas estão alinhadas com o interesse público e com a legislação vigente. Caso Lula decida pelo veto, os projetos retornam ao Congresso, que pode tentar derrubar a decisão presidencial.

Especialistas ouvidos por entidades citam que a sanção poderia significar um avanço de benefícios sem base clara na lei, impactando o orçamento e distanciando-se dos princípios de responsabilidade fiscal.