O Governo de São Paulo iniciou nesta segunda-feira (9) a vacinação contra a dengue com a Butantan-DV, primeira vacina de dose única do mundo contra a doença, ao mesmo tempo em que o Instituto Butantan anunciou um investimento de R$ 1,8 bilhão para ampliar e modernizar sua capacidade produtiva de vacinas e soros. O pacote de obras marca as comemorações pelos 125 anos da instituição e reforça o papel estratégico do instituto no abastecimento do Sistema Único de Saúde (SUS).
Vacinação contra a dengue começa por profissionais da saúde
O evento marcou o início da campanha de vacinação contra a dengue em São Paulo, tornando o estado o primeiro do país a iniciar a imunização com a vacina Butantan-DV. As primeiras doses foram aplicadas em profissionais da atenção primária à saúde, grupo considerado prioritário por atuar diretamente na linha de frente do atendimento à população.
Para esta etapa inicial, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) enviou 99 mil doses ao estado. A expectativa é imunizar cerca de 216 mil profissionais, entre médicos, enfermeiros, agentes comunitários de saúde e agentes de combate a endemias.
Butantan-DV é marco histórico da ciência brasileira
Desenvolvida pelo Instituto Butantan, a Butantan-DV é a primeira vacina contra a dengue em dose única capaz de proteger contra os quatro sorotipos do vírus. A conquista é considerada histórica para a ciência brasileira e representa um avanço significativo no enfrentamento da doença, que tem alta incidência no país.
Durante a cerimônia, profissionais de saúde da capital paulista receberam simbolicamente as primeiras aplicações, marcando o início da utilização da vacina na rede pública.
Investimento de R$ 1,8 bilhão amplia produção nacional de vacinas
O pacote de investimentos anunciado prevê a aplicação de R$ 1,8 bilhão na ampliação e modernização da estrutura fabril do Instituto Butantan. Do total, cerca de R$ 1,4 bilhão serão provenientes do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal, e aproximadamente R$ 400 milhões correspondem à contrapartida estadual, por meio da Fundação Butantan.
As obras serão realizadas na área fabril já existente do instituto e visam fortalecer a autonomia tecnológica do Brasil na produção de imunobiológicos estratégicos para o SUS.
Nova fábrica de vacina contra HPV
Entre os principais projetos está a construção de uma fábrica para produção do Insumo Farmacêutico Ativo (IFA) da vacina tetravalente contra o Papilomavírus Humano (HPV). A nova planta permitirá a produção de até 20 milhões de doses por ano, reduzindo a dependência externa e ampliando o acesso à vacina, fundamental na prevenção de diversos tipos de câncer.
Modernização da plataforma de RNA mensageiro
O investimento também contempla a modernização da unidade dedicada à tecnologia de RNA mensageiro (mRNA), uma das mais avançadas da atualidade. A plataforma terá capacidade para produzir o IFA de até 15 milhões de doses por ano e será utilizada inicialmente no desenvolvimento de vacinas contra a Covid-19 e a raiva, ampliando a capacidade de resposta a emergências sanitárias.
Produção nacional da vacina DTPa
Outra frente do projeto é a construção de uma nova fábrica para produção do IFA da vacina DTPa, que protege contra difteria, tétano e coqueluche. A unidade permitirá a fabricação anual de 6 milhões de doses de dTpa e 1 milhão de doses de DT, fortalecendo o calendário nacional de imunização.
Ampliação da produção de soros
O pacote inclui ainda a reforma da unidade de produção de soros, com a criação de uma nova área de envase e liofilização. Com isso, a capacidade anual passará de 600 mil para 1,2 milhão de frascos, além de possibilitar o envase de milhões de doses adicionais de soros e vacinas, tanto na forma líquida quanto liofilizada.


