Conflitos recorrentes entre taxistas regulamentados e motoristas clandestinos, conhecidos como “arrastadores”, têm provocado medo e insegurança entre passageiros no Aeroporto Internacional de Guarulhos. As ocorrências se repetem há pelo menos cinco anos e voltaram a ganhar destaque após uma briga registrada na semana passada na área de desembarque internacional.
Conflitos frequentes no maior aeroporto do país
Segundo relatos de passageiros e profissionais do setor, as disputas ocorrem principalmente nos horários de maior movimento e envolvem agressões físicas, ameaças e intimidações. Na última semana, uma confusão chamou a atenção de quem circulava pelo aeroporto por volta das 21h.
O professor Renato Manzano, que estava no local, registrou o episódio em vídeo e publicou o relato nas redes sociais. Ele descreveu cenas de violência envolvendo chutes, socos e xingamentos entre taxistas e motoristas que atuam de forma irregular.
Atuação dos chamados “arrastadores”
Os motoristas clandestinos, conhecidos como “arrastadores”, são apontados como responsáveis por abordar passageiros de forma insistente, oferecendo transporte alternativo sem autorização. Há denúncias de ameaças a taxistas e motoristas de aplicativo, além de coerção direta a passageiros.
Relatos indicam que algumas vítimas chegaram a pagar valores até 70 vezes superiores ao preço médio de uma corrida regular, especialmente em casos envolvendo turistas ou pessoas que desembarcam de voos internacionais.
Relato de golpe e ameaça a passageira
O motorista Marcelo Braga, da cooperativa Guarucoop, que opera no aeroporto, relatou um caso ocorrido com uma brasileira que retornava ao país para passar as festas com a família.
Segundo ele, a passageira foi abordada por um homem que ofereceu a corrida por R$ 150. No entanto, ao chegar próximo à Rodoviária do Tietê, a motorista exigiu o pagamento de R$ 1.000, ameaçando abandonar a vítima no meio da Marginal caso o valor não fosse pago.
Posicionamento da concessionária e investigações
Em nota, a GRU Airport, concessionária responsável pela administração do aeroporto, informou que atua de forma intensiva no combate ao transporte clandestino de passageiros. A empresa ressaltou que as ações de fiscalização e autuação são de responsabilidade dos órgãos de segurança estaduais e municipais.
De acordo com a Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo, ao longo do ano passado foram abertas 24 investigações policiais relacionadas a crimes como estelionato, roubo, extorsão e exercício ilegal da profissão no aeroporto.
Prisões e medidas judiciais
A pasta informou ainda que as investigações resultaram em pedidos de prisão temporária, busca e apreensão e prisão preventiva. Até o momento, cinco prisões foram decretadas pelo Poder Judiciário. As diligências continuam para localizar foragidos e esclarecer todos os fatos apurados.


