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CONECTADO – Sob Lucas Sanches, Guarulhos perde dois importantes títulos nacionais

Confira a coluna Conectado, do jornalista Ernesto Zanon, que traz os bastidores da política e do cotidiano de Guarulhos

Até 2024, Guarulhos ostentava dois títulos de projeção nacional. Era a cidade não capital que mais gerava empregos no Brasil, segundo dados oficiais, graças às políticas públicas adotadas no município que visavam justamente ampliar o número de postos de trabalho. E também era a cidade com mais de um milhão de habitantes mais segura do país, conforme o Anuário 2025 de Cidades Mais Seguras do Brasil, iniciativa da MySide que compila informações do Ministério da Saúde e do IBGE para medir o índice de assassinatos a cada 100 mil habitantes. Já no primeiro ano de administração do prefeito Lucas Sanches, em 2025, Guarulhos perdeu os dois títulos.

Não é a mais segura

Guarulhos figurava até 2024 como cidade com mais de um milhão de habitantes com a menor taxa de homicídios para cada grupo de 100 mil moradores. Nesta semana, o Governo de São Paulo divulgou dados do ano passado e Guarulhos perdeu o posto para a Capital, que tem um índice melhor. Enquanto São Paulo tem 4,37 mortes violentas para cada 100 mil habitantes, Guarulhos ficou com 4,48.

Capital passou Guarulhos

No Estado de São Paulo, entre as 10 maiores cidades, Guarulhos ficou com a quinta colocação, atrás de cidades como São Bernardo do Campo, Ribeirão Preto, São José dos Campos e São Paulo. Mas aparece à frente de Santo André, Osasco, Campinas, Sorocaba e São José do Rio Preto. O ranking divulgado pela Secretaria Estadual de Segurança Pública revela ainda que metade de todos os municípios de São Paulo não registraram um homicídio sequer ao longo de 2025.

Osasco deixa Guarulhos bem para trás

Semana passada, também baseado em números divulgados pelo Governo do Estado, referentes a 2025, primeiro ano completo de Lucas no poder, Guarulhos deixou de ser a cidade não capital que mais gerava empregos. Dados da Caged revelaram que Osasco, no ano passado, proporcionou o dobro de abertura de novas vagas, rebaixando Guarulhos para o terceiro lugar no Estado de São Paulo.

Anúncio desastroso

O anúncio feito pelo prefeito Lucas Sanches (PL) em 20 de janeiro nas redes sociais foi um dos maiores tiros no pé que a atual administração já deu, entre os vários nestes 13 meses de governo. Ao sair falando que os uniformes escolares seriam entregues a partir do primeiro dia de aula, sem lembrar que existe uma grande logística nesta distribuição e que os fornecedores não haviam ainda colocado nos depósitos da Prefeitura todos os itens, causou grande frustração na maior parte dos 120 mil alunos da rede municipal e seus familiares.

Ilusão criada

O tom festivo de Lucas, que não levou em consideração que as entregas já estão atrasadas em um ano, já que ele não fez a distribuição no ano passado, passou a ideia de que todo mundo sairia das escolas com materiais e uniformes já no primeiro dia de aula. A Secretaria de Educação chegou a anunciar um desfile, que deveria ser realizado no último sábado dia 7, no CEU Cumbica, com as novas vestimentas, com as próprias crianças como modelos. Nem desfile e muito pior: sem uniformes entregues.

Release da Prefeitura que indicava a realização de um desfile de uniformes, que acabou não ocorrendo

 

Apagou o post

As redes sociais estão repletas de reclamações.  Na publicação de Lucas, quando anuncia que a entrega vai até março, na noite de segunda-feira, contava com centenas de publicações por parte de mães (reais) criticando a promessa não cumprida. O post acabou apagado, inclusive. Mas antes foi possível registrar que algumas poucas que receberam contaram que o uniforme não chegou completo, ora faltando o tênis, ora a mochila, entre outros itens. Nem mesmo os robôs e comissionados que defendem o prefeito até debaixo d´água deram conta de contestar ou apagar a saraivada de críticas.  

Caiu o secretário

Coincidentemente ou não, na última sexta-feira, o secretário municipal de Educação, Silvio Rodrigues, foi exonerado do cargo. Para passar um pano, integrantes do Governo espalharam por aí que ele teria caído para cima, já que iria pilotar a candidatura a deputado estadual do secretário da SAR, Giovani Sanches. No entanto, a trapalhada com os uniformes pode estar na origem da demissão. Vale lembrar que Sílvio é ligado diretamente ao todo poderoso secretário da Casa Civil, Carlos Santiago, o que pode demonstrar perda de poder do mais importante grupo que comanda a Casa Branca.