A investigação em torno das supostas irregularidades na liquidação do Banco Master — envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro — ganhou novos desdobramentos nesta quinta-feira (12), com a divulgação de partes de um relatório da Polícia Federal (PF) que incluem mensagens e indícios relacionados ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli. O documento reforça a pressão para que Toffoli seja declarado suspeito e afastado da relatoria do caso pelo presidente da Corte, Edson Fachin.
Segundo o relatório, que foi entregue a Fachin pela PF, conversas apreendidas no celular de Daniel Vorcaro — dono do Master e alvo da Operação Compliance Zero — mencionam pagamentos à empresa Maridt, da qual o ministro Toffoli é sócio por meio de familiares. As trocas de mensagens foram encontradas em comunicação entre Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel, que chegou a ser detido e trabalhar como operador financeiro do banqueiro.
Indícios de pagamentos e mensagens trocadas
De acordo com as informações apuradas e divulgadas pela grande imprensa, os diálogos entre Vorcaro e Zettel discutem pagamentos à empresa Maridt, que tinha participação na venda do resort Tayayá, no Paraná — empreendimento anteriormente ligado à família de Toffoli. O relatório aponta que as negociações sobre essas transferências teriam sido realizadas em 2025, após a conclusão dos negócios.
Mensagens apreendidas também incluem citações ao próprio ministro Toffoli, embora não exista, até o momento, comunicação direta sobre os pagamentos entre ele e Vorcaro. A PF afirma à Justiça que esses indícios levantam suspeitas de conflito de interesse e possível favorecimento, por isso solicitou a declaração de suspeição do ministro no processo que apura as fraudes no banco.
Suspeição está nas mãos de Fachin
O pedido formal da Polícia Federal foi encaminhado ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, que já notificou Toffoli para que se manifeste sobre o requerimento de suspeição. A decisão agora cabe a Fachin, que examinará se Toffoli deve seguir como relator do caso ou ser substituído para evitar qualquer questionamento sobre imparcialidade e integridade do processo judicial.
Em nota oficial, o gabinete de Toffoli afirmou que o pedido de suspeição “se baseia em ilações” e que a PF não teria legitimidade para apresentar tal requerimento, afirmando ainda que as mensagens não causam prejuízo ao exercício da função do ministro, segundo interpretação jurídica de seu escritório.
Contexto da investigação do Banco Master
A apuração da PF começou com a Operação Compliance Zero, deflagrada em novembro de 2025, que investiga supostas fraudes relacionadas à concessão de créditos falsos e tentativas de aquisição irregular do Banco de Brasília (BRB) por parte do Banco Master, entre outros atos ilícitos que podem chegar a bilhões de reais em prejuízo ao sistema financeiro.
O caso tem gerado ampla repercussão na mídia nacional e intensificado questionamentos sobre a conduta de autoridades e suas possíveis relações com figuras envolvidas na investigação, alimentando debates sobre transparência, justiça e a separação entre poderes.
Repercussões políticas e institucionais
A situação ocorre em meio a uma fase de forte escrutínio das instituições brasileiras, com críticas cruzadas entre setores políticos, juristas e especialistas em ética pública. Alguns parlamentares e líderes defendem que, diante dos indícios e da proximidade entre as partes, a permanência de Toffoli na relatoria poderia comprometer a credibilidade do processo e gerar questionamentos sobre conflitos de interesse.
Por outro lado, aliados do ministro argumentam que a investigação deve prosseguir com respeito às garantias legais e que a simples menção em mensagens não constitui, por si só, prova de irregularidade.
O que acontece agora
O presidente do STF, Edson Fachin, analisará o pedido de suspeição e decidirá se Toffoli deve ser afastado da relatoria do inquérito que envolve o Banco Master. Essa decisão pode impactar diretamente o andamento das investigações e marcar um dos episódios mais sensíveis da Justiça brasileira em 2026.


