O volume é aproximadamente um quarto do que se espera para todo o mês de fevereiro. Acompanhado de ventos fortes, o temporal só comprovou o que todos percebem no dia a dia: a cidade segue despreparada para enfrentar chuvas mais fortes.
Um fato chama a atenção e reflete a falta de empenho do prefeito Lucas Sanches (PL) diante de situações adversas. Mais de 20 horas após a tempestade, nenhuma manifestação ou aparição dele nas redes sociais, território que inunda de postagens o tempo todo. Diferente disso, as equipes de limpeza de responsabilidade da Secretaria de Administrações Regionais, tocada pelo seu “irmão” Giovani Sanches, só chegaram as ruas quando o dia amanheceu. Por volta das 10h, ruas seguiam sujas diante de tantos estragos e vagareza nos serviços de limpeza.
Do Cocaia ao Macedo, da Vila Rio ao São Domingos, avenidas Monteiro Lobato, Tancredo Neves, Faria Lima, Salgado Filho, Estrada do Elenco, entre várias outras, seguem tomadas por muita lama, deixada pela enchente. Os córregos sem a devida limpeza transbordaram em poucos minutos e fizeram vítimas. Felizmente, desta vez, nenhuma fatal. Mas mais de 25 precisaram ser amparadas pela Defesa Civil Municipal que, via de regra, só chegou aos locais afetados muito depois do “leite derramado”.
Tem também o Cecap, bairro que nunca havia sofrido com alagamentos em mais de 40 anos até que Lucas Sanches acabou com a área da CDHU, desmatando e aterrando cursos d´água para realizar seu show de aniversário. Nesta segunda-feira, as ruas ficaram tomadas pela lama que desceu do terreno completamente impermeabilizado pelo prefeito engenheiro.
Apesar de vídeos e postagens em redes sociais, as ações da SAR de Giovani Sanches são ineficazes. Os trabalhos de desassoreamento e drenagem ou são mal feitos ou mal planejados, não promovendo o escoamento necessário das águas de fevereiro. Enquanto isso, o prefeito Lucas, que está há um ano, um mês e 17 dias no cargo, se esconde. A última postagem feita foi por volta das 14h desta segunda-feira, pouco antes do céu desabar sobre Guarulhos.
Ausente, não apareceu nos locais afetados e nem mesmo no Centro de Operações para, pelo menos, coordenar os trabalhos das equipes na rua. Aliás, não havia equipes nas ruas após o desastre. Os amarelinhos de Lucas só começaram a trabalhar na manhã desta terça-feira, quando o sol já estava reinando e esquentando o barro, que já seca pelas ruas.
É a repetição do que ocorreu em 25 de janeiro, um domingo à tarde, que recebeu outra chuva mais forte na casa dos 58 milímetros. O exagerado Lucas, depois de 14 horas, apareceu ao lado de um córrego para dizer que tinham sido mais de 150 milímetros, volume que saiu da cabeça do prefeito, sem qualquer base real.









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Desta vez, a própria Prefeitura admite 60 milímetros, garantindo que foi a chuva mais forte dos últimos dois anos. O número não importa. As pessas estão abandonadas.
Na Vila Rio, a queda do muro de um condomínio devido à enchente afetou até a tubulação de gás na noite desta segunda-feira. O pânico tomou conta dos moradores, que passaram a noite contando as perdas.
A Prefeitura, sempre ausente, mal apareceu. Devido à insistência da grande imprensa ao vivo nos telejornais da manhã, uma resposta enfadonha para tentar abafar o caso. Disseram que a Secretaria de Desenvolvimento Social iria ao local para checar a situação e verificar se poderão ser atendidas e de que forma pelo poder público. Talvez tenham que esperar Lucas Sanches aparecer. Voltar do local onde, de novo, se escondeu.


