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CONECTADO – Após 13 meses e meio no cargo, Lucas Sanches não entendeu o que é ser prefeito

Coluna Conectado do jornalista Ernesto Zanon, com os bastidores da política e do cotidiano de Guarulhos

Não há dúvidas que o temporal que caiu sobre Guarulhos por volta das 17h de segunda-feira foi terrível. Rajadas de ventos, muita água despejada sobre diversos bairros em poucos minutos e cidade despreparada. Segundo a Prefeitura, foram 60 milímetros de chuva. Já o Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais) e CGE (Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas) anunciaram oficialmente 26,4 mm, o que já é muito. Independentemente dos números, a realidade demonstra que Guarulhos não tem um trabalho eficiente para suportar as águas de verão.

Longe da realidade

Mais uma vez, demonstrando que não nasceu para colocar o pé no barro, Lucas Sanches, o prefeito do PL, não se fez presente. Assim como ocorreu no temporal de domingo, 25 de janeiro, ele só apareceu no dia seguinte. Desta vez, demorou 20 horas para gravar um vídeo para convertidos, para jogar a responsabilidade nas mudanças climáticas e, de novo, na população que joga lixo nas ruas.

Vergonha ao vivo

Por mais que Lucas e seus veículos de campanha alardeassem que uma força-tarefa estava trabalhando, a sujeira nas ruas o desmentia. Tanto que passou vergonha em plena TV Globo, quando o repórter ao vivo durante o SP1 constatou em plena avenida Monteiro Lobato que não tinha ali, quase às 13h de terça-feira, equipes da Prefeitura promovendo a limpeza. Destacou ainda que uma empresa contratou um caminhão-pipa particular para dar um jeito na sua fachada.

Fórmula manjada

Lucas Sanches passa o tempo todo postando e repostando coisas que diz ter entregado ao longo destes 13 meses e meio de mandato. Quer passar a impressão que é um realizador. Mas a quase totalidade das entregas não é dele. São pequenas reformas, pinturas ou mesmo obras já praticamente prontas realizadas pela gestão passada que ele somente cortou a fita, para os aliados (ou alienados) aplaudirem. Para as redes sociais, pode até soar como uma fórmula de sucesso.

Só não pode chover

Ruas alagadas no Cecap durante a chuva de segunda-feira

Mas esse falso sucesso cai por terra diante da primeira adversidade. Bastou uma chuva de verão para desmascarar a farsa que é esse governo. Que hoje trabalha para levantar o nome do secretário de Administrações Regionais, Giovani Sanches, para um lugar na Assembleia Legislativa. No entanto, o cara que seria o responsável pela limpeza da cidade tanto antes como depois da tempestade, assim como o chefe, se fez ausente. Nem mesmo na reunião atabalhoada marcada para terça-feira à tarde, um dia depois da tragédia, o moço apareceu. Seria querer demais que trabalhasse em dias de folia de carnaval, talvez.

Horário comercial

Na reunião em plena terça-feira de Carnaval, o titular da SAR, Giovani Sanches, não apareceu

Porém, como já foi dito antes neste espaço, quem se propõe à vida pública deve esquecer o horário comercial. Quem está à frente, principalmente. Precisa dar não só o exemplo, mas principalmente comandar. Definir prioridade, ir ao front, determinar ações rápidas, tomar decisões, buscar ajudas, se necessário, reforçar equipes. Sem esse comando, as poucas equipes na rua batiam cabeça. Sem saber onde começar ou priorizar. O resultado não poderia ser outro. Cidade suja até a próxima chuva que veio forte também na terça-feira à tarde. E na quarta-feira de cinzas, Guarulhos amanhece com barro, poeira e muita sujeira.

Máquina de enganação

Uma semana atrás, quando o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) veio a Guarulhos para anunciar mais de R$ 70 milhões em investimentos do Estado para obras de infraestrutura, dinheiro que já vinha sendo previsto desde a gestão passada, mais uma vez Lucas e seus asseclas tentando ser os protagonistas da festa, anunciando como da Prefeitura algo que é proporcionado pelo Governo do Estado. Mas tudo bem. Faz parte do jogo político.

O prefeito correu

Assustado com uma simples pergunta feita pela reportagem do GWEB presente no evento, Lucas fugiu. Não respondeu ao portal, assim como sua Subsecretaria de Comunicação faz desde que ele assumiu. Numa demonstração clara de despreparo para lidar com o contraditório, correu. Correu tanto que nem coletiva de imprensa ele fez desta fez. Meio que escondidinho, concedeu entrevistas isoladas para um ou dois amigos do poder, bem pagos para tanto.

Despreparo até no básico

Longe da verdade, Lucas fala em 40 anos de espera para um bairro que não tem 25 anos completos ainda

Em outra demonstração de que não tem preparo e uma assessoria bastante falha, no vídeo oficial sobre as obras de pavimentação que serão realizadas no Anita Garibaldi, Lucas garantiu que estava entregando uma grande conquista para a população que esperava 40 anos pelas obras. Isso mesmo: “quarenta anos”. Vamos lá.  A ocupação Anita Garibaldi foi iniciada na madrugada de 19 de maio de 2001 no Jardim Ponte Alta 2, região de Bonsucesso. Organizada pelo MTST, tornou-se uma das maiores ocupações urbanas do Brasil, reunindo milhares de famílias em um terreno ocioso de 280.000 metros quadrados. Ou seja, o bairro ainda não completou 25 anos. 

Trabalho já realizado

E para encerrar. As obras agora, proporcionadas pelo Governo do Estado, só foram possíveis graças ao trabalho realizado nas gestões passadas nas gestões de Elói Pieta e Sebastião Almeida, que permitiram a ocupação da área, sem oferecer resistências. Coube ao ex-prefeito Guti iniciar o trabalho de regularização fundiária e implantação de infraestrutura. Se as ruas serão pavimentadas agora, é porque antes de Lucas outros também agiram. Mas o asfalto no Anita hoje tem nome e sobrenome. Tarcísio de Freitas, o governador que recebeu a demanda do prefeito anterior.