Um levantamento da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, revela que cerca de 25% das estudantes adolescentes no Brasil já passaram por algum tipo de violência sexual. O estudo ouviu mais de 118 mil jovens de 13 a 17 anos em escolas públicas e privadas de todo o país em 2024.
Casos incluem assédio e relações forçadas
Entre as situações relatadas estão toques, beijos e exposição de partes íntimas sem consentimento. Os dados mostram que 73,7% das adolescentes que sofreram violência relataram episódios de assédio, enquanto 11,7% afirmaram ter sido forçadas ou intimidadas a manter relações sexuais.
Em comparação com 2019, houve aumento de 5,9 pontos percentuais nos relatos de violência sexual e de 2,9 pontos nos casos de relações forçadas.
Subnotificação e dificuldade de identificação
O IBGE destaca que muitos casos não são reconhecidos pelas próprias vítimas, seja por falta de informação, idade ou fatores sociais e culturais. Por isso, a pesquisa separou diferentes tipos de violência para facilitar a identificação.
Além disso, os dados indicam que milhões de adolescentes já foram afetados: mais de 2,2 milhões sofreram assédio e cerca de 1,1 milhão relataram relações forçadas.
Violência ocorre principalmente no círculo próximo
A pesquisa aponta que a maior parte das agressões é cometida por pessoas conhecidas das vítimas. Nos casos de relações forçadas:
- 26,6% foram cometidas por familiares
- 22,6% por namorados ou ex-namorados
- 16,2% por amigos
- 8,9% por pais, padrastos, mães ou madrastas
Já nos casos de assédio, predominam “outros conhecidos”, familiares e desconhecidos.
Idade das vítimas acende alerta
Os dados mostram que a violência pode ocorrer ainda na infância. Entre os adolescentes que relataram relações forçadas, 66,2% tinham 13 anos ou menos na época do ocorrido.
Gravidez precoce e baixa proteção preocupam
O estudo também identificou que cerca de 121 mil adolescentes já engravidaram, o que representa 7,3% das jovens que iniciaram a vida sexual. A maioria dos casos (98,7%) ocorreu entre estudantes da rede pública.
Outro ponto de alerta é o uso de preservativos: apenas 61,7% utilizaram camisinha na primeira relação sexual, índice que cai para 57,2% na relação mais recente.
Início da vida sexual e legislação
A pesquisa indica que 30,4% dos adolescentes já tiveram relação sexual, número menor do que em 2019. Ainda assim, entre os que iniciaram a vida sexual, 36,8% tiveram a primeira experiência com 13 anos ou menos.
No Brasil, relações com menores de 14 anos são enquadradas como crime, o que reforça a gravidade dos dados apresentados.



