Com o objetivo de reduzir os riscos da transmissão vertical — de mãe para filho —, a Secretaria de Saúde de Guarulhos realizou, entre os dias 5 e 7 de maio, uma capacitação para mais de cem profissionais das redes pública e privada.
O foco do treinamento foi a implementação das novas diretrizes do Ministério da Saúde para o enfrentamento do vírus HTLV (Vírus Linfotrópico de Células T Humanas). A ação ocorreu logo após a publicação de uma Nota Técnica Municipal, que estabelece fluxos rígidos para o manejo de gestantes e crianças expostas, visando interromper a transmissão durante o parto e a amamentação.
O vírus HTLV é considerado uma infecção silenciosa e, embora seja desconhecido por grande parte da população, pode desencadear doenças graves no longo prazo, como leucemia e problemas neurológicos. Como a maioria dos infectados não apresenta sintomas imediatos, a qualificação das equipes de saúde é considerada fundamental para a detecção precoce.
Durante as aulas ministradas pela infectopediatra Dra. Paula Andrade Alvarez, foram discutidos protocolos para a atenção primária e procedimentos específicos para as maternidades, garantindo atendimento preventivo imediato.
Vigilância e monitoramento do vírus HTLV em Guarulhos
A necessidade dessa mobilização é sustentada por dados epidemiológicos locais. Desde que a notificação da doença se tornou obrigatória em 2025, o município registrou 19 casos do vírus HTLV em adultos, 17 em gestantes e 10 em crianças que foram expostas ao patógeno.
Esses números, extraídos do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), evidenciam que a vigilância ativa é a ferramenta mais eficaz para garantir a segurança dos recém-nascidos e evitar complicações dermatológicas e motoras futuras.
Com essa capacitação, a rede de saúde local busca consolidar um fluxo de assistência que integre desde o pré-natal até o acompanhamento especializado do bebê. Além da via sexual, a transmissão pela amamentação é uma das principais preocupações das autoridades sanitárias, o que exige orientações precisas para as mães soropositivas.
Ao fortalecer a rede técnica, a cidade reafirma seu compromisso na prevenção de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) e na proteção das novas gerações contra os impactos do vírus HTLV.



