Nada como uma votação polêmica contrária aos interesses da população e a exposição da posição dos vereadores para imperar a discórdia no Câmara Municipal de Guarulhos. Depois que 26 vereadores votaram contra os servidores, aprovando os 2% de reajuste salarial, como determinou o prefeito Lucas Sanches (PL), diversas trocas de acusações, críticas veladas (ou mesmo explícitas), além dos velhos ataques pessoais, tomaram conta das últimas sessões. Prevalece um clima de Torre de Babel para os lados da Vila Sorocabana.
Rolou crocodilagem

O vereador Leandro Dourado (Mobiliza), na sessão de segunda-feira, soltou cobras e lagartos contra um vereador da base, que ele preferiu não dizer o nome, mas alguns ficaram na dúvida se seria um senhor que reina na região dos Pimentas ou m recém aliado que vem dos lados do Taboão. Afirmou que não aceitaria crocodilagem, já que seu algoz, segundo falou, foi ao Bom Clima, entregar de bandeja ao poder uma determinada situação, em que ele poderia não estar sendo tão fiel.
De bandeja
Até mesmo um dos inimigos declarados de Dourado, Geléia Protetor (PSD) também subiu à Tribuna para dizer que entendia seu inconformismo ao ser entregue de bandeja ao Governo por um colega. Também defendeu o Delegado Mesquita (PP), seu opositor direto na corrida à Assembleia Legislativa, contra os ataques que vem sofrendo da oposição. E por fim, se voltou à defesa de Guto Tavares (PDT), que perdeu alguns cargos no Governo ao votar contra os 2% para os servidores, contrariando Lucas Sanches.
Defendeu a base
Para Geleia, seria imperdoável a atitude de alguns vereadores que foram ao prefeito pedir para punir Guto por votar a favor dos servidores. Disse que o colega se elegeu com base nos sindicatos e precisava honrar seus votos. Já ele, que garantiu não depender do funcionalismo, não teve problemas em votar a favor dos 2%, por esta não ser sua base. “Agora, o que fizeram com o Guto foi uma patifaria”, atacou.
Depois do leite derramado
Depois da repercussão negativa em redes sociais e por toda a cidade, as faixas com imagens do prefeito Lucas Sanches e do assessor Giovani, com felicitações do Dia das Mães, começaram a ser retiradas das ruas por carros particulares dois dias após a data. Ficou evidente que a ação, que teve como objetivo divulgar o nome e rosto do escolhido pelo prefeito para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa contraria leis municipais que o chefe do Executivo deveria cumprir e dar exemplos. Fora a possibilidade de crime eleitoral por propaganda antecipada, já que até mesmo as cores do partido de ambos, utilizadas desde o ano passado pela Prefeitura, foram utilizadas mais uma vez.
Cabeças penduradas

Porém, vereadores da base que seguiram o péssimo exemplo do prefeito e também espalharam faixas por Guarulhos não foram tão ágeis e a prova do crime que cometeram seguem penduradas por aí. Alguns, que posam na tribuna da Câmara como paladinos da lei e da ordem, como Laércio Sandes (União Brasil), ainda tem suas cabeças penduradas nos postes por aí. Questionado pelo GWEB sobre a prática, o vereador – que aparece ao lado de Eli Correa Filho, que concorrerá a federal e ao assessor Giovani – não respondeu.
Para a bandidagem ver
Numa ação voltada a impactar as redes sociais, o prefeito Lucas Sanches apareceu nesta terça-feira no estacionamento do Internacional Shopping, um local privado e controlado, iniciando uma operação policial e falando grosso que o crime não terá vez em Guarulhos. Para tanto, reuniu a GCM, com o reforço das polícias Civil e Militar numa “megaoperação” por toda a cidade. Porém, em vez de anunciar os resultados após a ação, ele anunciou antes, o que permite ao crime organizado se recolher para não ser pego, já que uma das estratégias mais importantes neste tipo de ação seria o efeito surpresa, o que não foi o caso.



