Uma carta apreendida dentro da Penitenciária de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo, deu origem a uma investigação que revelou um esquema milionário de lavagem de dinheiro ligado a uma facção criminosa com atuação no estado.
Segundo a Polícia Civil e o Ministério Público, o grupo utilizava ao menos 35 empresas de fachada para ocultar patrimônio e movimentar recursos ilícitos. A estrutura criminosa foi alvo da Operação Vérnix, deflagrada nesta quinta-feira (21) em conjunto com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
O documento que desencadeou as investigações foi encontrado em 2019 durante uma ação da Polícia Penal dentro da unidade prisional. A carta havia sido descartada em uma coleta interna e precisou ser reconstruída pelos investigadores.
No conteúdo, havia referências a ataques contra agentes públicos, planos da organização criminosa e menções ao uso de armamento pesado, incluindo fuzis.
A partir da apreensão, investigadores passaram a rastrear conexões financeiras e empresariais ligadas ao grupo. Segundo as autoridades, dois irmãos do líder da facção foram identificados como peças centrais do esquema.
De acordo com a investigação, os dois administravam à distância uma transportadora em Presidente Venceslau, apontada como principal eixo financeiro da organização criminosa.
Um celular apreendido com a dupla revelou ainda a participação de uma influenciadora digital no esquema. Segundo a polícia, ela atuava como uma espécie de “caixa do crime organizado”, realizando movimentações bancárias ligadas ao casal investigado e mantendo conexões com integrantes da cúpula da facção.
“Esse é um trabalho brilhante conduzido há mais de sete anos em conjunto com o Ministério Público. Estamos atuando diretamente contra a alta cúpula da facção criminosa e deixando claro que o crime organizado não vai ter vez em São Paulo”, afirmou o secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves.
Ao longo das investigações, a Polícia Civil instaurou três inquéritos sucessivos para mapear o fluxo financeiro e a estrutura de ocultação patrimonial identificada na chamada Operação Lado a Lado.
Na operação desta quinta-feira, os agentes cumpriram seis mandados de prisão preventiva e 17 mandados de busca e apreensão. Duas ordens judiciais foram executadas na Penitenciária Federal de Brasília, onde investigados já cumpriam pena.
Outros dois suspeitos seguem foragidos no exterior. A Justiça solicitou a inclusão dos nomes na Lista Vermelha da Interpol para evitar risco de fuga.
Também houve uma prisão em flagrante por porte de munições.
“Esta ação tem um caráter pedagógico e efeito inibitório. Não tem caminho fácil. Não adianta ficar esfregando dinheiro na cara do jovem para ser advogado do PCC”, declarou o procurador-geral de Justiça, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa.
A operação resultou ainda no bloqueio de mais de R$ 327 milhões em bens e valores ligados aos investigados. Segundo as autoridades, foram sequestrados 17 veículos, incluindo carros de luxo, além de quatro imóveis.
“Atingimos o andar de cima”, afirmou o promotor de Justiça Lincoln Gakya.



