Esportes

Seleção do Irã enfrenta problemas na imigração e “ordem de despejo” dos EUA após estreia na Copa

Após empatar na estreia, delegação do Irã foi obrigada a retornar imediatamente ao México; astro do time, Mehdi Taremi, foi retido em aeroporto.

A estreia da seleção do Irã na Copa do Mundo de 2026 extrapolou as quatro linhas e escancarou o tamanho da crise geopolítica entre Teerã e Washington. Após empatar em 2 a 2 com a Nova Zelândia na noite de segunda-feira (15), em Los Angeles, a delegação iraniana enfrentou duros entraves com a imigração norte-americana e relatou ter recebido uma “ordem imediata” para deixar o país logo após o apito final.

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A situação mais tensa ocorreu no aeroporto de Los Angeles, de onde a equipe embarcaria de volta para Tijuana, no México, cidade que serve de base para o time no torneio. O principal astro e capitão da seleção, o centroavante Mehdi Taremi, e o auxiliar técnico Saeid Alhouei foram retidos pelas autoridades dos Estados Unidos. Segundo agências de notícias estatais iranianas, ambos enfrentaram um “atraso injustificado” na checagem de passaportes e vistos, sendo liberados somente após os procedimentos burocráticos.

O técnico do Irã, Amir Ghalenoei, de 62 anos, criticou duramente a logística imposta pelas autoridades locais e o veto para que os atletas dormissem em Los Angeles para se recuperar fisicamente. “Devíamos ficar aqui esta noite para nos recuperarmos e voltar amanhã na hora do almoço, mas eles não nos permitiram. Acho que talvez nossa equipe seja a mais oprimida de toda a Copa do Mundo”, desabafou.

Vistos restritos e problema para as próximas rodadas

Por conta da guerra recente entre os dois países, a Fifa e o governo dos EUA já haviam costurado um esquema rígido de permanência: a seleção iraniana não pode se hospedar de forma fixa em território americano. A base do time foi transferida para Tijuana e as diretrizes estipuladas pelo governo Trump determinam que a delegação só pode ingressar nos EUA 36 horas antes de cada partida.

Agora, a Federação Iraniana de Futebol (FFIRI) corre contra o tempo para resolver um novo problema burocrático. O atacante Mehdi Torabi recebeu um visto que permite apenas uma única entrada nos Estados Unidos, ao contrário do restante do elenco, que possui vistos de múltiplas entradas. Como as duas próximas partidas do Irã na fase de grupos serão em solo norte-americano — contra a Bélgica, no sábado (21), em Los Angeles, e contra o Egito, no dia 27, em Seattle —, os dirigentes iranianos precisam emitir uma nova autorização emergencial para que o atleta não balance o desfalque na equipe.

“Não é bom para o futebol. Acho que a Fifa precisa nos ajudar mais do que isso. É muito ruim e afeta nossa equipe, e nós só queremos paz”, declarou o capitão Mehdi Taremi ainda no estádio. Até o momento, o Departamento de Estado dos EUA e a Fifa não se posicionaram formalmente sobre os incidentes no aeroporto.

Estreia coincide com assinatura de trégua

O clima tenso na partida e nos bastidores contrasta com um avanço diplomático importante fora dos gramados. No mesmo dia da estreia, Estados Unidos e Irã assinaram virtualmente um acordo de cessar-fogo para pôr fim à guerra que se estendia desde 28 de fevereiro, quando ataques conjuntos de EUA e Israel atingiram o território iraniano.

O conflito, que gerou contra-ataques no Golfo Pérsico e uma frente terrestre no Líbano via Hezbollah, vinha sufocando a economia global. O novo texto prevê a trégua militar imediata, a retirada de navios norte-americanos e a reabertura do Estreito de Ormuz. O comitê diplomático terá agora 60 dias para tentar um consenso sobre o ponto mais complexo do acordo: o futuro do programa nuclear do Irã.

Apesar da assinatura de paz, o clima para os cidadãos do país na Copa continua restritivo. Dias antes da abertura do torneio, os EUA confiscaram e cancelaram a cota de ingressos que pertencia à federação iraniana, impedindo que torcedores que planejavam viajar ao país pudessem assistir aos jogos dentro dos estádios.