Ernesto Zanon – @ernesto_zanon
O mercado brasileiro de carros elétricos vive hoje uma verdadeira disputa entre as marcas chinesas. A BYD domina as vendas e a percepção do público, enquanto a GWM tenta crescer apostando em modelos mais sofisticados e tecnológicos. E agora surge uma nova concorrente que chega claramente para entrar nessa briga: a Geely EX2.

O modelo desembarca no Brasil com uma proposta bastante interessante. A ideia não é ser o elétrico mais esportivo nem o mais extravagante do mercado. O EX2 aposta justamente no equilíbrio, oferecendo bom espaço interno, conforto, tecnologia e um preço competitivo para tentar conquistar quem deseja entrar no universo dos elétricos sem gastar cifras absurdas.

A versão avaliada fica na faixa dos R$ 136 mil e entra exatamente em um dos segmentos mais disputados atualmente, mirando diretamente modelos como BYD Dolphin, Dolphin Mini, GWM Ora 03 e outros elétricos compactos urbanos.

Mas talvez o principal diferencial da Geely esteja justamente fora do carro. Muita gente ainda conhece pouco da marca no Brasil, mas a realidade global é completamente diferente. A Geely é hoje um dos maiores grupos automotivos do mundo e dona de marcas como Volvo, Polestar, Lotus e Zeekr.

Ou seja, não estamos falando de uma fabricante pequena tentando espaço no mercado. A Geely tem força financeira, tecnologia e escala global. Além disso, a chegada ao Brasil acontece em parceria com a Renault, utilizando estrutura de pós-venda, concessionárias e suporte operacional da marca francesa. E isso muda bastante o cenário para o consumidor brasileiro. Com a parceria envolvendo a Renault, a Geely tenta justamente transmitir mais segurança ao mercado.

Visualmente, o EX2 segue a linha moderna dos elétricos chineses atuais. O desenho aposta em linhas limpas, assinatura em LED, frente minimalista, rodas grandes e visual urbano. Mas sem exageros. Diferentemente de alguns concorrentes que apostam em design mais futurista ou chamativo, o EX2 parece tentar conversar com um público mais racional.
Por fora ele parece compacto, mas o espaço interno surpreende bastante. O entre-eixos generoso ajuda na sensação de cabine ampla e garante bom conforto para os ocupantes traseiros, algo importante para o uso urbano e familiar. O interior também mostra claramente a evolução da indústria chinesa nos últimos anos. A cabine entrega painel digital, central multimídia grande, carregador por indução, acabamento agradável, comandos minimalistas, assistentes eletrônicos e forte conectividade. Tudo com aparência de carro mais caro.

Outro detalhe técnico importante está na tração traseira, algo raro nessa faixa de preço. Na prática, isso melhora bastante no equilíbrio, estabilidade, comportamento dinâmico e sensação ao volante. O EX2 transmite leveza na condução e agrada principalmente no uso urbano.

A suspensão também merece destaque. O acerto claramente privilegia conforto e funciona muito bem nos obstáculos naturais de nossas cidades, como lombadas, ruas irregulares, pisos ruins e e valetas. E isso faz enorme diferença no Brasil real.
A bateria próxima dos 40 kWh entrega autonomia estimada na faixa dos 300 quilômetros, mais do que suficiente para a rotina diária da maioria das pessoas. Na prática, o EX2 parece ter entendido exatamente qual é seu papel no mercado: não tentar impressionar pelo exagero, mas pela racionalidade.
