Ernesto Zanon – @ernesto_zanon

Quando a Fiat completa 50 anos de produção no Brasil, muita gente vai falar dos números, dos modelos históricos, das fábricas, da liderança de mercado e dos milhões de veículos produzidos. Tudo isso é importante. Mas existe uma outra forma de contar essa história: pelo lado de quem viveu essa trajetória dentro e fora dos carros.
E aí vem a pergunta: Fiat, 50 anos de Brasil. E eu com isso? Eu tenho bastante coisa a ver com essa história, assim como milhões de brasileiros que participaram, de uma forma ou outra, com este legado.

A Fiat chegou ao Brasil em 1976, com o lançamento do 147, um compacto que revolucionou o mercado nacional. Eu era uma criança e ainda curtia Kombi 74 corujinha, recém-adquirida pelo meu pai. O carro era pequeno, econômico e diferente de tudo que existia naquele momento. Alguns anos depois, em 1985, ainda no começo da minha relação com o mundo automotivo, já com a CNH nas mãos, tive meu primeiro carro: um Fiat 147 Europa 1980 usado.
Era a versão mais moderna, com uma frente mais baixa, diferente dos primeiros modelos. Não era apenas um meio de transporte. Era a conquista de independência, o primeiro carro, a porta de entrada para uma paixão que acabaria virando profissão.
Décadas depois, olhando para trás, é curioso perceber que aquele pequeno 147 tinha muito daquilo que a Fiat buscaria construir no Brasil: carros compactos, funcionais, acessíveis e conectados ao consumidor brasileiro.

O primeiro lançamento Fiat da minha carreira

Minha história profissional com a Fiat também tem alguns capítulos especiais. Repórter do jornal Shopping News, fui chamado pela Editoria de Carro para realizar uma cobertura fora de São Paulo. A primeira viagem que fiz para acompanhar o lançamento de um carro da marca foi em 1994, para Gramado (RS), no lançamento do Fiat Tempra Turbo.
Naquela época, um sedã médio com motor turbo era algo que chamava muita atenção. O Tempra Turbo representava uma Fiat que queria mostrar também desempenho, tecnologia e sofisticação. O retorno para Porto Alegre teve um momento inesquecível: fomos para o autódromo de Tarumã, onde pudemos experimentar os carros em um ambiente adequado para mostrar todo o potencial daquela novidade. Foi uma daquelas experiências que ficam marcadas na memória de qualquer jornalista automotivo.
A Strada e uma viagem pela Chapada Diamantina

Não parei mais. Foram dezenas de lançamentos da Fiat nestes 32 anos de imprensa automotiva dos 35 de profissão. E uma dessas aprsentaçãoes marcantes ocorreu poucos anos depois: o lançamento da Fiat Strada, em 1998.
A apresentação aconteceu na Chapada Diamantina, na Bahia, em uma escolha que já mostrava a proposta do modelo: uma picape compacta, mas preparada para enfrentar diferentes situações. Naquele momento ninguém imaginava que aquela pequena picape, a princípio apenas cabine simples, se tornaria um dos maiores fenômenos da indústria automotiva brasileira.
A Strada cresceu, evoluiu, ganhou cabine estendida, cabine dupla, versões aventureiras, motores mais eficientes, tecnologia e passou a ocupar um espaço que praticamente criou uma categoria própria. Hoje, a Fiat Strada é há vários anos o veículo mais vendido do Brasil, superando inclusive carros de passeio tradicionais.

De 147 à Strada Ranch: cinco décadas de evolução
Não à toa, escolhemos uma Strada neste momento para avaliar e representar os 50 anos da Fiat no Brasil. É impressionante comparar aquele 147 dos anos 1970 com a Strada Ranch atual, que tivemos a oportunidade de usar durante uma semana.

O pequeno Fiat tinha motor simples, acabamento básico e pouca tecnologia. A Strada Ranch CD 1.0 Turbo é praticamente de outro planeta quando colocamos os dois modelos lado a lado. Ela traz motor turbo flex, câmbio automático CVT, central multimídia, conectividade, sistemas de segurança, acabamento refinado e uma proposta que mistura trabalho, lazer e uso familiar.

A Fiat entendeu algo que poucas marcas conseguiram no Brasil: o consumidor brasileiro quer um carro que seja racional, mas também tenha emoção. A Strada deixou de ser apenas uma ferramenta de trabalho. Ela virou carro de família, companheira de viagens, veículo urbano e até objeto de desejo.
E é justamente essa evolução que aparece nesta avaliação da Strada Ranch, que tem preço sugerido na casa dos R$ 140 mil. A versão é atualmente a mais sofisticada da linha. A cabine dupla oferece espaço suficiente para uma família pequena, enquanto a caçamba mantém a praticidade que sempre foi uma das marcas registradas da Strada.
O motor 1.0 turbo surpreende. Com cerca de 130 cv quando abastecido com etanol, entrega desempenho suficiente para a proposta do veículo. Não é uma picape esportiva, mas responde bem nas acelerações e principalmente nas retomadas.

O câmbio CVT ajuda no conforto urbano, deixando a condução mais tranquila no trânsito pesado das grandes cidades. O acabamento também mostra a mudança de posicionamento da Fiat. Há detalhes em couro, costuras aparentes, central multimídia moderna e uma preocupação maior com conforto e sensação de qualidade.

O ponto forte continua sendo a combinação difícil de encontrar: um veículo compacto, econômico, confortável e capaz de carregar carga quando necessário.

Uma marca que mudou junto com o Brasil
A Fiat dos anos 1970 era uma marca que chegou para oferecer mobilidade. A Fiat de hoje é uma das maiores fabricantes do país, com uma linha completa e modelos que estão entre os líderes de seus segmentos.

Minha história começou com um 147 Europa usado, passou por dezenas de lançamentos acompanhados como jornalista e chega agora à Strada Ranch, justamente um modelo que representa muito bem essa transformação. Cinco décadas depois, a Fiat continua fazendo parte da vida de milhões de brasileiros. E da minha também.

