Notícias

Morre Claudio Carsughi, um dos maiores nomes do jornalismo esportivo e automobilístico brasileiro

Jornalista italiano de nascimento, Carsughi construiu uma carreira de mais de sete décadas no Brasil e se tornou referência para gerações de profissionais e apaixonados por automobilismo

O jornalismo esportivo brasileiro perdeu nesta quinta-feira (10) uma de suas principais referências. Claudio Carsughi morreu aos 93 anos, em São Paulo, após permanecer internado por 27 dias em decorrência de uma infecção respiratória. A informação foi divulgada por sua filha, Claudia Carsughi, nas redes sociais.

Nascido em Arezzo, na Itália, em 13 de outubro de 1932, Carsughi chegou ao Brasil em 1946, ainda adolescente. Engenheiro de formação, construiu uma trajetória que uniu conhecimento técnico, jornalismo e paixão pelo automobilismo.

Sua carreira começou muito cedo. Aos 16 anos, já atuava como correspondente do jornal italiano Corriere dello Sport, acompanhando, entre outros acontecimentos, os preparativos para a Copa do Mundo de 1950, disputada no Brasil.

Uma voz que marcou gerações

Carsughi se tornou especialmente conhecido pela atuação no rádio e na cobertura de automobilismo. Na Rádio Jovem Pan, onde permaneceu por décadas, ganhou reconhecimento pela análise técnica e pela forma precisa e elegante de comentar corridas e futebol.

Também passou por veículos como Rádio Bandeirantes, Gazeta Esportiva, Jornal da Tarde, ESPN Brasil e SporTV, além de ter ocupado posições de destaque no jornalismo especializado em automóveis, incluindo a direção e edição de publicações do setor.

No automobilismo, sua formação como engenheiro ajudou a diferenciá-lo. Carsughi tinha a capacidade de traduzir questões técnicas dos carros e das competições para o público, sem abrir mão da precisão.

Ao longo da carreira, acompanhou algumas das principais transformações do automobilismo brasileiro e mundial e cobriu cinco Copas do Mundo consecutivas, entre 1970 e 1986.

Referência também para o jornalismo automotivo

A influência de Carsughi ultrapassou o rádio esportivo. Ele foi uma das figuras mais respeitadas do jornalismo automobilístico brasileiro, participando de testes, lançamentos e coberturas durante décadas.

Um dos registros de sua trajetória mostra que, ainda em 1977, teve a oportunidade de testar o então novo Ford Corcel II para a revista Quatro Rodas.

Mesmo já com idade avançada, continuou acompanhando o setor e participando de encontros e eventos ligados ao automobilismo. Em novembro de 2025, por exemplo, participou da 11ª edição do Carsughi L’Auto Preferita, evento que leva seu nome.

A longevidade profissional fez de Carsughi uma espécie de ponte entre diferentes gerações do jornalismo automotivo. Pilotos, comentaristas e jornalistas mais jovens passaram a tratá-lo como “Mestre Carsughi”, reconhecimento que sintetizava sua autoridade no segmento.

Legado

A morte de Claudio Carsughi encerra uma trajetória de mais de 70 anos dedicada ao jornalismo. Sua contribuição ficou marcada não apenas pelo número de competições e eventos que acompanhou, mas principalmente pela combinação entre conhecimento técnico, experiência e credibilidade.

Carsughi deixa dois filhos, quatro netas e um bisneto. Ele era viúvo de Hilda Carsughi, que morreu em 2009.