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Guarulhos será o primeiro aeroporto do Brasil a receber sistema antidrones

Guarulhos será o primeiro aeroporto do Brasil (Foto-Divulgação)
Guarulhos será o primeiro aeroporto do Brasil (Foto-Divulgação)
Guarulhos será o primeiro aeroporto do Brasil a receber sistema antidrones capaz de detectar, monitorar, mitigar e neutralizar aeronaves

O sistema é conhecido internacionalmente pela sigla C-UAS (Counter-Uncrewed Aircraft Systems) e reúne tecnologias destinadas a identificar e acompanhar aeronaves não tripuladas e, dependendo dos equipamentos utilizados, interferir em seu funcionamento. A neutralização, porém, não significa necessariamente derrubar fisicamente o drone. A forma de atuação dependerá da tecnologia escolhida, das condições da ocorrência e das autorizações necessárias. Em um aeroporto, o uso de equipamentos que interferem em sinais de radiofrequência exige cuidados adicionais para evitar impactos sobre outros sistemas de comunicação e navegação.

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Por esse motivo, as diretrizes determinam que os equipamentos utilizados na estrutura de Guarulhos deverão ser homologados pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

Concessionária ficará responsável pela operação

A concessionária que administra o Aeroporto de Guarulhos ficará responsável pela aquisição, implantação e operação das capacidades de detecção, monitoramento, mitigação e neutralização. Também caberá à empresa realizar a primeira resposta diante de uma ocorrência e comunicar as autoridades competentes. A implantação será acompanhada por diferentes órgãos federais, entre eles ANAC, Polícia Federal, Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), Receita Federal e Anatel. O DECEA terá participação na definição das áreas de proteção e dos procedimentos relacionados à eventual suspensão e retomada das operações aéreas.

A atuação conjunta é necessária porque uma ocorrência com drone nas proximidades de um aeroporto envolve questões de segurança aeroportuária, controle do espaço aéreo, telecomunicações e segurança pública.

Polícia Federal já utiliza tecnologia antidrones

A tecnologia que deverá ser empregada em Guarulhos já é utilizada por órgãos públicos brasileiros. A Polícia Federal mantém contratos para aquisição de sistemas C-UAS. Dois contratos assinados em julho de 2026 têm valores de aproximadamente R$ 2,3 milhões e R$ 1,5 milhão, com vigência prevista até 2031. Documentos de outro contrato, firmado em 2025, também registram a aquisição de quatro equipamentos do tipo jammer antidrones, destinados à interferência nos sistemas utilizados pelas aeronaves não tripuladas. A implantação no aeroporto, entretanto, exigirá procedimentos específicos por se tratar de um dos principais pontos de circulação aérea do país.

Experiência em Guarulhos poderá ser ampliada

A escolha do Aeroporto de Guarulhos considera sua importância para a malha aérea brasileira e o histórico recente de ocorrências envolvendo drones. A ANAC deverá avaliar os riscos e a relação entre custos e benefícios da implantação, em conjunto com a Polícia Federal e o DECEA. A partir dos resultados, a experiência poderá ser utilizada para definir a necessidade de sistemas semelhantes em outros aeroportos brasileiros. Entre os critérios previstos estão o volume de aeronaves e passageiros, a relevância do aeroporto para a malha nacional, o histórico de ocorrências e as características da região no entorno do terminal.

Enquanto o sistema é estruturado, a ANAC também passou a adotar novas regras para operações com drones no país. O RBAC 100, publicado em junho, classifica as operações conforme o nível de risco em três categorias: aberta, específica e certificada. Para Guarulhos, a expectativa é que a nova estrutura permita uma resposta mais rápida às ocorrências e reduza a necessidade de interrupções prolongadas nas operações do aeroporto diante da presença de drones.