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AVALIAÇÃO – Fiat Toro Volcano híbrida oferece nova tecnologia nova, mas preço chega perto dos R$ 200 mil

Eletrificação leve de 48V promete economia, mas ganho no consumo é discreto; picape continua agradando pelo conforto, desempenho e versatilidade

 

 Ernesto Zanon – @ernesto_zanon

A Fiat Toro ganhou uma novidade que acompanha uma das principais tendências da indústria automotiva: a eletrificação. Na versão Volcano, o conhecido motor 1.3 turbo flex passa a trabalhar com um sistema híbrido leve de 48 volts, o chamado MHEV. A proposta é melhorar a eficiência e reduzir o consumo de combustível. Na prática, porém, a mudança é menos perceptível do que o nome híbrido pode sugerir.

É importante entender que não estamos diante de um veículo que roda no modo elétrico. O sistema funciona como um auxiliar do motor a combustão, recuperando energia nas desacelerações e frenagens e utilizando essa eletricidade para ajudar nas retomadas e arrancadas. É uma solução que já começa a aparecer em diferentes modelos da Stellantis e que representa um passo na eletrificação, mas sem alterar radicalmente a maneira de dirigir.

No nosso contato com a Toro Volcano, o que se percebe é que o ganho no consumo existe, mas está longe de ser significativo a ponto de transformar a economia de combustível no principal argumento de compra. Para quem espera uma redução expressiva nas despesas com abastecimento, a novidade pode gerar alguma frustração.

A escolha pela versão MHEV acaba envolvendo outros fatores, como a possibilidade de enquadramento nas regras de isenção do rodízio municipal de São Paulo e o interesse em acompanhar a tendência de eletrificação dos automóveis. É uma alternativa para quem deseja entrar nesse universo sem precisar mudar seus hábitos ou a forma de utilização do veículo.

 

Ao volante, a Toro continua agradando

Se a eletrificação não chega a provocar uma transformação perceptível, o conjunto mecânico continua sendo um dos pontos fortes da picape. O motor 1.3 turbo flex entrega 176 cv e 27,5 kgfm de torque, associado ao câmbio automático de seis marchas e à tração dianteira.

O comportamento é bastante agradável, principalmente no trânsito urbano. O motor responde bem às solicitações do acelerador e trabalha em harmonia com o câmbio, que faz as trocas de maneira suave. Não há solavancos, hesitações ou surpresas desagradáveis. É um conjunto bem acertado, que proporciona uma condução confortável tanto no anda e para das cidades quanto em trajetos mais livres.

A assistência elétrica ajuda no funcionamento do conjunto, mas não muda a personalidade da Toro. Ela continua entregando o desempenho que já conhecíamos do motor turbo, com respostas satisfatórias e força suficiente para movimentar a picape sem dificuldades.

Conforto de automóvel

Uma das razões para a Toro ter conquistado tantos consumidores está justamente na proposta de unir dois mundos. Ela não é uma picape média tradicional, voltada prioritariamente ao trabalho, mas também não é um SUV. Com cabine dupla, oferece espaço interno interessante e acomoda bem os passageiros, mantendo características de um automóvel de passeio.

A posição de dirigir é confortável e a cabine tem bom acabamento. A Volcano traz bancos revestidos em couro, ar-condicionado digital de duas zonas, central multimídia de 10,1 polegadas, painel de instrumentos digital e carregador de celular por indução. É um ambiente agradável para quem passa boa parte do dia ao volante.

A caçamba, com capacidade volumétrica de 937 litros, acrescenta a versatilidade que um SUV não oferece. É possível transportar bagagens, equipamentos e objetos que dificilmente caberiam no porta-malas de um automóvel convencional.

Por outro lado, o porte da picape exige alguns cuidados. Em manobras apertadas, especialmente em garagens de edifícios e estacionamentos, é preciso atenção redobrada. Nesse cenário, sensores de estacionamento e câmera de ré são muito mais do que acessórios de conveniência. São equipamentos importantes para evitar pequenos acidentes e aquelas indesejáveis raladinhas na carroceria.

Equipamentos e preço

A Volcano tem uma lista interessante de equipamentos e oferece recursos de conforto e segurança que fazem diferença no uso cotidiano. O pacote ADAS inclui frenagem autônoma de emergência, alerta de mudança de faixa e comutação automática do farol alto.

Mas, quando o preço chega aos R$ 197.490, é inevitável cobrar mais. A versão Volcano ainda deixa alguns recursos como opcionais, entre eles o ajuste elétrico do banco do motorista e sensores dianteiros com alerta de tráfego cruzado. O sensor de ponto cego e o alerta de tráfego cruzado traseiro, por exemplo, são de série na versão Ultra.

E aqui aparece uma questão interessante na própria linha Fiat. Por aproximadamente R$ 9 mil a mais, o consumidor pode partir para a Toro Ultra, que acrescenta equipamentos de segurança e diferenciais de acabamento. É uma comparação que merece ser feita antes da decisão de compra.

Vale a pena?

A Fiat Toro Volcano MHEV é uma picape agradável, confortável e versátil. O conjunto mecânico continua sendo um de seus maiores atributos, com motor turbo bem disposto e câmbio automático que trabalha de maneira suave. A cabine oferece bom espaço e a caçamba amplia as possibilidades de utilização.

A novidade híbrida, entretanto, não chega a ser um divisor de águas. O sistema de 48 volts representa uma evolução tecnológica, mas a economia de combustível percebida no uso é pequena. A possibilidade de obter benefícios associados à eletrificação, como a dispensa do rodízio em São Paulo, também entra na conta de quem considera a compra, observadas as regras de enquadramento.

No fim das contas, a Toro continua convencendo mais pelo conjunto que já conhecemos do que pela novidade que carrega sob o capô. O sistema híbrido leve é bem-vindo, mas ainda não é ele que faz a diferença na hora de escolher a picape — especialmente quando a conta chega perto dos R$ 200 mil.