Estadão

A Queda, um intrigante desafio de Scott Mann

O cinema contou muitas histórias de alpinismo – tanto o social quanto o esportivo. Duas possibilidades entre muitas – Tom Cruise, que sempre dispensa os dublês, pendurado nas Rochosas na abertura de Missão Impossível 2 e, depois, na mesma franquia, enfrentando o bigodudo Henry Cavill em Efeito Mortal. A Queda começa com um casal escalando uma montanha. Há uma terceira figura – outra mulher – que também escala a montanha com eles. Ocorre um acidente – mortal. O homem despenca. Não vai nenhum spoiler nisso. A cena ocorre logo na abertura do longa de Scott Mann.

Corte. Quase um ano depois. A viúva está um lixo, e não adianta o esforço do pai para ajudar a filha sair do buraco. Becky/Grace Fulton se exaspera quando ele lhe diz que o marido não era quem ela pensava. Retorna a amiga da montanha, convidando Becky a escalar não uma montanha, mas uma torre de 600 metros no meio do nada. As duas embarcam para o que promete ser uma aventura divertida, de superação. Vira uma tragédia. Apesar dos percalços, a subida as leva ao topo. O problema será descer. A torre está abandonada e os parafusos vão sendo desatarraxados pelo movimento das duas. Caem as escadas.

Ficar lá em cima sem sinal de celular – e sem possibilidade de socorro – já é um pesadelo. Mas fica pior. Segredos avultam, e aqui, sim, tem spoiler. Becky encontra no telefone da amiga a imagem da mão de homem, numa situação íntima. Quem é o cara? Ninguém. Em seguida, uma mão, numa cena de cama, fornece a resposta, confirmada pela tatuagem no pé da amiga. 143. Correspondem a "I love you", eu te amo em inglês. E quem dizia isso, transformando em números a declaração de amor?

<b>PERIGO</b>

Scott Mann é conhecido por seus thrillers de sobrevivência. Duas mulheres numa situação de perigo, e um conflito entre elas. Entra um par de abutres para complicar o que já é desesperador quando Becky se fere e o sangue atrai as aves de rapina. Abutres se alimentam de carne morta. Fazem o que é preciso para sobreviver. Duas mulheres, dois abutres. O clima é desesperador. No começo da aventura, o público pode até perguntar como e onde o filme foi feito. Digital, claro, uma torre de apenas 30 metros. Logo o público se esquece da técnica, ligado no drama. No limite, a história de sobrevivência é também de família. O pai… Chega! A Queda é muito específico. Não se destina a todos os públicos. Melodrama, suspense, terror? Tem tudo – é assustador. Volta a técnica. Como? Assim como Náufrago, com Tom Hanks, era uma propaganda da Fed-Ex, A Queda também pode ser do celular. Há outra queda mortal. Origina uma cena fantástica, um diálogo de fantasmas. Bem intrigante.

As informações são do jornal <b>O Estado de S. Paulo.</b>

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