Estadão

AEB prevê superávit comercial de US$ 92,772 bi em 2024

A balança comercial brasileira deve gerar um superávit de US$ 92,772 bilhões em 2024, o que representaria uma redução de 3,5% em relação aos US$ 96,187 bilhões previstos para 2023, previu a Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB).

As exportações brasileiras devem somar US$ 334,517 bilhões em 2024, queda de 0,6% em relação aos US$ 336,532 bilhões estimados pela entidade para 2023. As importações foram previstas em US$ 241,745 bilhões em 2024, aumento de 0,6% em relação aos US$ 240,345 bilhões estimados para 2023.

"A elaboração das projeções da balança comercial para 2024 observou tendências de pequenas oscilações nas cotações e também nos volumes, sinalizando estabilidade e oscilações suaves, mantendo o ritmo observado no decorrer do ano 2023", explicou a AEB em nota. "Todavia, isto não impede que sejam observadas alterações bruscas, tanto em cotações quanto em volumes, pois esta aparente calmaria pode ser substituída por um fato isolado que impacte suas cotações."

A entidade contabilizou na projeção da balança comercial uma queda na produção de soja e de milho, mas alerta que pode haver perdas na lavoura mais agudas que o previsto.

A AEB espera avanços, em 2024 ante 2023, nas cotações médias para o minério de ferro (alta de 2,5%), petróleo (1,7%), soja em grão (0,3%), celulose (1,2%) e óleos combustíveis (10,2%), mas recuos para o café (-8,7%), milho (-6,1%), carne de aves (-6,9%), carne bovina (-5,3%), carne suína (-6,2%) e farelo de soja (-5,1%).

"As cotações das commodities continuam se mostrando atraentes para os exportadores brasileiros, porém, sem garantia de manutenção dos atuais patamares", apontou a AEB. "As exportações de commodities continuam como o motor de sustentação das exportações brasileiras."

A projeção de superávit em 2024 considera uma taxa de câmbio oscilando entre o piso de R$ 4,70 e o teto de R$ 5,30, "influenciada pelo quadro político, econômico brasileiro e mundial, níveis de taxas de juros internacionais, índices de inflação, entre outros fatores".

"Independente do nível da taxa cambial, a competitividade das exportações de manufaturados tem na América do Sul seu principal mercado de destino, ainda que a região enfrente problemas políticos e/ou econômicos, especialmente na Argentina", ressaltou o documento.

A estimativa considera ainda que o PIB brasileiro cresça cerca de 1,5% em 2024, "nível suficiente para atender apenas pequena parcela das demandas do Brasil no segmento do consumo das famílias, reduzir o elevado nível de desemprego e suprir as necessidades de investimentos em infraestrutura".

Segundo a AEB, a possível aprovação de reformas, incluindo a tributária, abre
perspectiva de impactos positivos na redução do Custo Brasil e aumento da competitividade das exportações brasileiras, especialmente de produtos manufaturados. A entidade lembra que os produtos manufaturados detinham 59% da pauta de exportações no ano 2000, descendo a apenas 28% em 2023.

A balança comercial de manufaturados brasileiros teve seu último superávit em 2005, de US$ 7 bilhões, descendo a um déficit de US$ 128 bilhões em 2022, apontou a AEB. Para 2023, com base numa queda estimada em 11% das importações de manufaturados, a AEB prevê que esse déficit fique em US$ 109 bilhões.

<b>Balança comercial por setores</b>

A AEB estima que as exportações da indústria de transformação brasileira passem de US$ 175,952 bilhões em 2023 para US$ 178,114 bilhões em 2024, alta de 1,2%. As das indústrias extrativas sairiam de US$ 78,180 bilhões em 2023 para US$ 80,688 bilhões em 2024, alta de 3,2%, e as da agropecuária passariam de US$ 80,200 bilhões em 2023 para US$ 73,315 bilhões em 2024, queda de 8,6%. Os demais produtos sairiam de US$ 2,200 bilhões em 2023 para US$ 2,400 bilhões em 2024, alta de 9,1%.

Quanto às importações, o desempenho da indústria de transformação brasileira sairia de US$ 217,676 bilhões em 2023 para US$ 218,543 bilhões em 2024, alta de 0,4%. As indústrias extrativas sairiam de US$ 16,396 bilhões em 2023 para US$ 16,700 bilhões em 2024, alta de 1,8%, e a agropecuária passaria de US$ 4,473 bilhões em 2023 para US$ 4,502 bilhões em 2024, aumento de 0,6%. Os demais produtos sairiam de US$ 1,800 bilhão em 2023 para US$ 2,000 bilhões em 2024, alta de 11,1%.

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