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Após alagamentos no Cecap, Prefeitura mexe em área do Guarulhos Fest para tentar remediar situação

Após alagamentos em ruas do Cecap, a Prefeitura de Guarulhos, sob a gestão do prefeito Lucas Sanches (PL),  coloca máquinas e servidores em terreno onde realizou o Guarulhos Fest Show para tentar remediar a situação.

Desde quarta-feira, quando a enxurrada desceu mais uma vez para as ruas do bairro, máquinas e funcionários cavam uma espécie de canal para conter as águas da chuva e tentar evitar mais transtornos. Outro grupo tenta ampliar a entrada dos bueiros numa rua próxima.

A administração não revela o que está fazendo no local, mas é evidente que são ações paliativas. A grande área, que pertence à CDHU, segue completamente abandonada desde 8 de dezembro, último dia do evento. O GWEB questionou a Comunicação do prefeito Lucas Sanches nesta sexta-feira, mas – mais uma vez – nenhuma informação foi prestada à população.

Vale lembrar que o prefeito garantiu que não houve gastos de dinheiro público no local. Mas tanto na obra para realizar o evento, como agora para consertar o estrago, há envolvimento direto da Prefeitura ou empresas terceirizadas do Município.

O GWEB foi até o local nesta sexta-feira. Apenas uma máquina retroescavadeira abria um pequeno canal na parte de cima do terreno, desde a frente da Fatec até a extremidade oposta. Foi possível perceber que a abertura no solo não segue em linha reta. Um morador que estava por ali desabafou: “parece um caminho de rato”.

Máquina abre canal para tentar impedir que a água da chuva desça pelo terreno
Em outro ponto do terreno, há já um canal para o escoamento da água da chuva ou até mesmo dos vertedouros que existem no local

 

Em outra frente de trabalho, na rua Odilon Monteiro, funcionários de uma empresa terceirizada, com um caminhão identificado com logomarca da Prefeitura, trabalhavam na ampliação de bocas de lobo. O GWEB constatou que o trabalho consiste em duplicar o espaço de abertura, sem mexer com a galeria por onde escoa a água da chuva. Ou seja, em apenas dois pontos da rua, que fica logo abaixo do terreno, para onde desce a maior parte da enxurrada, as bocas de lobo estão sendo duplicadas, para tentar aumentar o escoamento.

Funcionários de uma empresa terceirizada da Prefeitura trabalham na duplicação da entrada de uma boca de lobo 
Uma outra boca de lobo, próxima da creche, já teve sua entrada duplicada para tentar aumentar o escoamento da água que desce do terreno da CDHU

Um especialista ouvido pelo GWEB diz que a medida pode não ser eficaz, já que seria necessário ampliar as galerias para dar vazão à agua que antes se dispersava na grande área, que era permeável, contava com cursos de água e muita vegetação. Agora, como está impermeável, já que recebeu pedriscos e asfalto em boa parte, toda a água vai para as ruas. Seria necessário construir novas galerias desde o terreno da CDHU até o rio Baquirivu, a quase um quilômetro de distância.

IMBRÓGLIO JURÍDICO

A realização do Guarulhos Fest Show no aniversário da cidade após uma série de discussões judiciais não encerrou o problema para os moradores do Cecap. Muito diferente disto, os transtornos prosseguem, principalmente quando chove um pouco mais forte na região. Pelo menos em duas ocasiões, uma em dezembro e outra nesta semana, as ruas do bairro, que nunca alagaram em mais de 40 anos, ficaram tomadas pela água após dois temporais.

A enxurrada que desce do terreno, antes ocupado por cursos d´água e vegetações, que foram completamente destruídas para a realização do show, invade as ruas próximas como a Odilon Monteiro e a Cristóbal Claudio Elilio, da Fatec, foram as mais atingidas e ficaram completamente alagadas.  Até mesmo a creche municipal  Yugi Hirata ficou com o estacionamento completamente alagado

O Guarulhos Fest Show foi bancado pelo prefeito Lucas Sanches (PL) e só realizado após uma decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) depois do início do evento. Até então, decisões judiciais, do TJ-SP (Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo) e do STJ (Superior Tribunal de Justiça) impediam a realização do evento, impondo inclusive multas. As ações, apesar da decisão do STF, que autorizou o festival, prosseguem.