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Após crise com afegãos enfrentada por Guti, pedidos de refúgio no Aeroporto de Guarulhos caem 94%

Segundo a Polícia Federal, novas normas de imigração reduziram drasticamente solicitações de refúgio; cidade lembra atendimento intensivo a refugiados afegãos em 2022 e 2023

O número de pedidos de refúgio no Aeroporto Internacional de Guarulhos caiu 94% entre 2024 e 2025, segundo dados divulgados pela Polícia Federal (PF). Enquanto em 2024 foram contabilizados 7.610 pedidos, em 2025 o total foi de 458 solicitações — a grande maioria registrada no primeiro semestre do ano passado.

Regras mais rígidas e fim dos acampamentos

A queda expressiva está diretamente relacionada a mudanças nas regras de imigração adotadas a partir de agosto de 2024, quando passageiros em trânsito internacional sem visto de entrada no Brasil passaram a ser obrigados a seguir viagem ao destino final ou retornar ao país de origem, sem permanecer em áreas restritas do aeroporto.

O delegado responsável pela PF no terminal afirmou que, com a nova norma, não há mais acampamentos de migrantes nas áreas restritas do aeroporto, uma situação que foi recorrente nos últimos anos.

Em 2025, a maioria dos pedidos de refúgio foi feita por cidadãos de Bangladesh, Vietnã e Nigéria, refletindo mudanças no perfil das chegadas ao país.

Recordar para entender

Antes da queda nos pedidos de refúgio, Guarulhos viveu um período de grande fluxo migratório, especialmente entre 2022 e 2023, quando milhares de refugiados afegãos chegaram pela cidade após deixarem o Afeganistão em busca de proteção humanitária.

Desde janeiro de 2022, o Posto Avançado de Atendimento Humanizado ao Migrante, instalado no aeroporto, chegou a atender mais de 5,7 mil afegãos, com períodos em que centenas de pessoas aguardavam acolhimento nas dependências do terminal.

A Prefeitura de Guarulhos, por meio da Secretaria de Desenvolvimento e Assistência Social, foi responsável na gestão do ex-prefeito Guti (PSD) por garantir alimentação, kits de higiene, água e cobertores para esses refugiados enquanto aguardavam vagas em abrigos geridos pelo governo estadual ou pelo próprio município.

Para enfrentar a demanda, o município também ampliou vagas em residências transitórias e desenvolveu articulações com órgãos estaduais e federais para encaminhar os refugiados para abrigos adequados.

Fim de um ciclo de crise humanitária

A situação de fluxo intenso de refugiados nos corredores do aeroporto foi um dos maiores desafios assistenciais vividos pela administração municipal nos últimos anos. Com as novas regras migratórias e a queda drástica nos pedidos de refúgio, a dinâmica de recebimento de migrantes em Guarulhos mudou significativamente no último ano.

A Polícia Federal classifica a redução como resultado direto das medidas de controle adotadas, que buscam coibir o uso do Brasil como rota de imigração irregular para outros países, sobretudo os Estados Unidos.